Cinema: Ainda sou teu traz Fernanda Torres sublime como Eunice
Para quem gosta de cinema e quer um passeio diferente, existem opções de cinema ao ar livre que acontecem temporariamente. O objetivo é ocupar a cidade de uma forma diferente e interessante.
Ditadura Nunca Mais
Ainda estou aqui
Um grito pelo amor, um grito para que nunca mais tenhamos que viver sob uma Ditadura.
Só defende uma Ditadura quem não conhece a nossa História, quem não estuda, quem só pensa em si, quem é conivente com violência e retrocesso.
Ainda estou aqui não é partidário, mas é político porque expõe o valor da democracia, o terror da supressão dos direitos e da censura.
Um filme emocionante, intenso, que propaga amor e justiça com diálogos com teor humano, bem escritos.
Não é um filme sentimentalista, para transmitir piedade. Coloca em evidência o quanto os anos da Ditadura foram complicados, deixaram muitas famílias desesperadas em busca de entes queridos, entes que sofreram tortura, muitos assassinados, por lutarem por respeito e liberdade.
Walter Salles é um diretor talentoso e traz a saga de uma mulher, de uma família, em busca de seu ente querido. É uma família famosa, mas que representa inúmeras famílias anônimas.
Vale lembrar que a história é baseada no livro homônimo escrito por Marcelo Rubens Paiva, que fala da luta incansável de sua mãe, Eunice, em busca de notícias do marido, Rubens Paiva, militante político, ex-deputado, jornalista, engenheiro.
Um olhar afetivo, crítico e essencial para um momento tão triste e importante do Brasil, que parecia ter ficado no passado, mas que foi revivido, de modo menos intenso, durante os quatro anos do inelegível.
Claro que o período não pode ser chamado de Ditatorial porque houve a manutençãp dos poderes, mas foi complicado porque emanou o ódio e as ações governamentais visavam somente o lucro, o poder, a exploração dos mais vulneráveis!
Um filme memorável, com cenas muito bem construídas e interpretações sensíveis.
Closes, fotografias, vídeos e a trilha sonora ajudam a traçar a memória dessa família que era extremamente feliz e foi despedaçada com o sumiço do patriarca, em 1971.
Cores fortes na praia (no Rio, Leblon) , no cotidiano amoroso; depois tons opacos para os porões da tortura e o vazio na alma do sobrado em frente ao mar, tão amado pela família Paiva.
A reconstituição dos anos da Ditadura está nas ambientações, nas roupas e no comportamento dos personagens.
A trama acontece nos anos de chumbo - o filme já começa mostrando a violência dos militares ao abordarem as pessoas nas ruas; depois em 1996, quando a família conseguiu o atestado de óbito de Rubens Paiva (essencial para inúmeros trâmites burocráticos), mas sem detalhes sobre o "desaparecimento" , e em 2014, com Eunice já velha e doente, com todo o amor familiar, e com a certeza da tortura e assassinato de Paiva.
São grandes atores que estão no elenco: Fernanda Torres, Selton Mello e Fernanda Montenegro, como principais, transmitem com louvor a emoção dos personagens, com diversas camadas que transitam entre o amor, o desespero, a esperança, o desânimo e a força de não desistir jamais.
Fernanda Torres está sublime! Com certeza é o papel de sua vida e um dos trabalhos mais lindos que já presenciei de uma atriz. O seu olhar é magnetizante, a sua presença na telona é um presente. A sua composição para a Eunice é exemplar, de corpo e alma. Eunice é tão forte que não "deixa a peteca cair, apesar dos momentos de muita tristeza.
Após o desaparecimento do marido, ela resolve ir para SP, com o filhos (claro) para ficar mais perto de seus pais. Vai cursar Direito e luta pelos direitos dos povos originários.
A participação de Fernanda Montenegro, como Eunice já bem idosa, é curta e arrebatadora, sobretudo quando ela assiste a um programa sobre a Ditadura e escuta o nome do marido. Eunice está com Alzheimer e , apesar de apática, ao ouvir o nome de Rubens, ela tem um momento de lucidez, a sua fisionomia se transforma!
Um momento muito especial! Através do olhar e da expressão facial, a atriz transmite toda a dor e a saudade de sua personagem, a dor de quem viveu para para que os governantes reconhecessem o assassinato de seu amado marido.
Só assistindo para ver a profundidade da cena. De arrepiar!
......

Sobre Rubens Paiva
Foi militante no movimento estudantil e teve cinco filhos com Eunice, com quem se casou em São Paulo, entre eles o renomado escritor Marcelo Rubens Paiva.
Rubens foi eleito deputado federal por São Paulo em 1962, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Com o Golpe de 1964 foi cassado e exilado.
Ao voltar para o Brasil, mudou-se com esposa e filhos para o Rio, trabalhou com engenharia, mas atuava em segredo contra a Ditadura.
Em 20 de janeiro de 1971, foi levado pela polícia da casa em que vivia com a família no Leblon.
Uma equipe de agentes armados do Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica (CISA) invadiu a casa.
Em 20 de janeiro de 1971, seis homens invadiram a casa de Rubens no Rio de Janeiro fortemente armados e levaram o político para prestar depoimento. Eunice, esposa de Paiva, e Eliana, filha do casal, foram presas no dia seguinte.
Rubens foi torturado e morto no Destacamento de Operações Internas (DOI-CODI), no quartel da Polícia do Exército. Na época, os órgãos oficiais alegaram que Paiva havia fugido durante transferência de prisão e nunca mais fora encontrado.
Eunice Paiva, liberada depois de 12 dias presa (e a sua filha logo foi liberada), passou a brigar para que o desaparecimento do marido fosse investigado.
Em 1996, depois da sanção da Lei dos Desaparecidos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, foi emitido o atestado de óbito de Paiva.
Em 2012, a Comissão Nacional da Verdade (CNV), instituída em pela ex-presidente Dilma Rousseff, apresentou documentos e depoimentos que atestaram a entrada de Rubens Paiva no DOI-CODI, em 20 de janeiro de 1971, provando que o político foi torturado e morreu devido a gravidade dos ferimentos.
A Comissão denunciou que o assassino de Rubens Paiva foi o ex-tenente do exército Antônio Fernando Hughes de Carvalho, oficial do CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva) ligado à Cisa (Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica), mas nenhuma punição ocorreu e a investigação foi encerrada.
Em 2024, foi reaberta a investigação sobre o assassinato de Paiva, mas devido à Lei da Anistia dificilmente o resultado será satisfatório.

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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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