Malu Galli e Tiago Martelli [idealizador do projeto] estão no palco para interpretar a primeira adaptação nacional de duas obras aclamadas da literatura francesa: Lutas e Metamorfoses de uma Mulher e Monique se Liberta, do escritor Édouard Louis. A dramaturgia inédita é assinada por Pedro Kosovski.
A peça aborda a trajetória de Monique, a mãe do autor, em diferentes momentos de sua vida. É atraves dessa personagem tão íntima do escritor, é que ele trata de questões sociais e políticas que silenciam e subjugam mulheres da classe trabalhadora. Ela tem um histórica de lutas, caídas e recomeços, uma história muito parecida com a de milhares de mulheres que vivem no Brasil, na França, no mundo todo. Édouard Louis participa da encenação através de uma gravação em off. na cena em que ele e sua mãe conversam ao telefone.
“A história da minha mãe é a história de uma vida roubada e, portanto, também a história de uma juventude roubada, como foi a vida e a juventude de muitas mulheres e é por isso que me pareceu importante escrever este livro, rebelar-me contra isso.” – Édouard Louis
Uma participação oportuna porque Louis imprimiu nos seus livros a visão e a fala de um filho sobre a sua mãe. No primeiro livro, o depoimento de um filho sobre como é possível uma mãe reconstruir uma vida marcada por pobreza, humilhações, trabalho exaustivo e um casamento abusivo. A força de uma mulher de se libertar e buscar a sua dignidade e identidade.
Já em Monique se Liberta (2024) é Monique quem conta a sua história e diz o valor do humano, do sobreviver e do resistir num sistema opressor.
Na adaptação de Pedro Kosovski essas duas vozes se encontram a partir de uma narrativa sensorial onde estào presentes o conflito, o afeto, a memória e a insurgência da obra de Édouard Louis.
“A dramaturgia planifica as tramas sobrepostas de duas obras literárias de Édouard Louis, cujo protagonismo está na relação ‘impossível’ que enlaça e desenlaça mãe e filho. Busquei a ação emocional da escrita autobiográfica de Louis, uma ação que rompe decisivamente com o estado de anestesia que muitas vezes marca existências em nossa sociedade. Entre dívidas e reivindicações, algo do impossível desse encontro entre mãe e filho pronuncia imperativamente um chamado emocional: é urgente que se façam sentir as existências neste mundo, apesar desse mundo.” – Pedro Kosovski
A diretora Inêz Vianna tem a sensibilidade ideal para potencializar a dimensão íntima e política das obras. Ela constroi um espaço cênico que mistura literatura e performance se encontram para falar de temas urgentes e atuais do nosso cotidiano. Para Inêz, " ao conduzir sua mãe para o centro da narrativa, Louis propõe um grito contra o sistema patriarcal que oprime e faz com que haja a naturalização da violência, que encontramos eco aqui e agora".
“Através de sua ajuda para a terceira fuga de sua mãe, o filho tenta não só recuperar sua relação interrompida com ela, mas entende, e nós também entendemos, que a liberdade e o caminho não percorridos sempre poderão ser retomados, independentemente do tempo.” – Inez Viana
Malu Galli ressalta que ao falar de sua mãe, o autor consegue ser universal:
“Monique é uma mulher comum: dona de casa, mãe de cinco filhos. E, como toda mulher comum, Monique é uma mulher extraordinária. Uma mulher com uma força gigantesca, um amor pela vida e uma coragem de leoa. Basta dar a ela a oportunidade de ser quem é para que todos possam comprovar isso. E, quando falamos de oportunidade, falamos de autonomia. E, quando falamos de autonomia, o dinheiro está sempre no centro.” – Malu Galli
Tiago Martelli, por sua vez, reforça o caráter coletivo e visceral da proposta.
“Na obra de Édouard Louis, encontrei uma narrativa que nos confronta com a coragem, a vulnerabilidade e a reinvenção de uma mulher que se recusa a desaparecer. Esta adaptação é um gesto de cuidado, um ato político e uma homenagem a todas as mulheres que lutam para reconquistar suas próprias vozes.”
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Ficha técnica
Autor: Édouard Louis
Dramaturgia: Pedro Kosovski
Direção artística: Inez Viana
Elenco: Malu Galli e Tiago Martelli
Assistência de direção: Lux Nègre
Cenografia: Dina Salem Levy
Cenógrafa assistente: Alice Cruz
Desenho de luz: Aline Santini
Trilha sonora: Felipe Storino
Figurino: Ticiana Passos
Orientação de movimento: Denise Stutz
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Fotografia: João Pacca
Designer: Opacca e Fernando Vilarim
Operador de luz: Paulo Maeda
Operador de som: Cauê Andreassa
Direção de produção: Gabriela Morato | Associação Sol.te
Coordenação geral de produção: Cícero de Andrade | Mosaico Produções
Produção: Dani Simonassi, Tiago Martelli, Matheus Ribeiro, Thais Cairo
Idealização: Tiago Martelli
Serviço
Estreia em 15 de janeiro, quinta-feira, às 20h
Temporada: 15 de janeiro até 8 de fevereiro. Quintas, sextas e sábados às 20h e domingos às 18h.
Sesc 14 Bis – Teatro Raul Cortez
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 2º andar – Bela Vista, São Paulo
Próximo ao Metrô Trianon-Masp (Linha 2 - Verde)
Telefone: (11) 3016-7700
Ingressos: R$ 70,00 (inteira), R$35,00 (meia entrada) e R$ 21,00 (credencial)
Acessibilidade: Libras nos dias 29, 30, 31/jan. e 1/fev., e audiodescrição nos dias 31/jan. e 1/fev.
Classificação: 14 anos
Duração: 80 minutos |