Espetáculo Nosso Luto estreia em São Paulo, no Teatro Ribalta
Sou uma das assessoras e destaco o esmero com o qual toda a equipe está tratando a montagem.
Um elenco talentoso e profissional for mado por Ju Carrega, Sergio Seixas, Carola Valente e Danilo Rodriguez
Nosso Luto, peça do jovem ator, diretor e dramaturgo Kiury, trata de um assunto tabu – a morte - com poesia.
Com direção de Rodrigo Ferraz, o espetáculo é produzido por Ferraz e Kiury.
A morte para muitos não significa nada. Se não me atingir, não é nada (...) Não é comigo. Agora, quando a morte arrasta uma pessoa que você amava, o papo é outro. A morte bate. A morte chega. Chega sem avisar. (Julieta, em Nosso Luto!)
Nosso Luto é um espetáculo simbólico sobre uma das fases mais difíceis da vida. Com uma linguagem poética, o texto do jovem dramaturgo, diretor e ator, Kiury, fala sobre o sentimento de dor pelo falecimento de alguém e a dificuldade de encarar o vazio trazido pela morte.
Como aceitar a nova realidade? Como recuperar a força de viver quando a vontade é partir junto com um ente ou um amigo querido?
Os personagens são facilmente identificáveis com figuras do nosso cotidiano, mas são carregados de simbologias. O público é convidado a montar a trama, como se fosse um quebra-cabeça, já que a trajetória dos personagens não é mostrada de modo totalmente explícito; eles carregam um certo mistério.
O espetáculo traz muita espiritualidade, mas sem nenhuma relação com qualquer tipo de religião.
Segundo Kiury, Nosso Luto fala do luto e da morte, que muitos têm medo de encarar. ¨Acredito que a morte não é o fim de tudo. Ela dá início a um novo começo. O espetáculo esbarra na espiritualidade, mas é para qualquer pessoa, independente de crença ou não crença¨, conta o autor.
O que interessa é mostrar a história de pessoas que estão em busca da sua essência e de superar as suas dores, num mundo em que, apesar das adversidades, ainda impera o calor humano.
Em cena, quatro personagens: Julieta, Sebastião, Heloísa e Péricles. Julieta é uma mulher comum que vê a sua vida estagnada após a morte de uma pessoa que não se sabe direito quem é. E isso não importa muito! O que tem que ser levado em conta é a sua luta para continuar o seu caminho na busca da realização dos seus sonhos, já que ela não tem muitas perspectivas de futuro: está sem emprego e sem nenhuma razão para viver.
Julieta (Ju Carrega) perdeu o chão, mas conta com a ajuda de três amigos, que formam o seu tripé. Sebastião (Sérgio Seixas) é o porteiro de seu prédio e uma espécie de guru na sua vida - com ele, Julieta estabelece uma relação de enorme carinho. A sua amiga, Heloísa (Carola Valente), é solar, alegre, e Péricles (Danilo Rodriguez), introspectivo, um bom ouvinte, lunar e que tem a paciência de ouvir as suas lamúrias.
Nosso Luto marca, especialmente, o encontro entre dois amigos que têm em comum a paixão pelo teatro. Elesmantêm contato há cinco anos e só agora formam parceria em um projeto teatral. Rodrigo Ferraz assina a direção e Kiury é seu assistente de direção.
Kiury destaca que a sua peça não é autobiográfica, mas que a trama foi escrita a partir de algumas experiências pessoais e que homenageou pessoas que tiveram importância na sua vida na escolha dos nomes dos personagens.
¨Quando perdemos alguém ou algo importante na nossa vida, ficamos com a sensação do vazio. Não podemos negar! Em 2016, a humanidade “perdeu” grandes personalidades. Foi um ano de término¨, fala. ¨Eu me despedi de muitos colegas de profissão e de uma grande amiga. Senti a necessidade de colocar no papel¨, complementa.
O seu objetivo como dramaturgo é valorizar a poesia dos diálogos e assim tocar o espectador. ¨Sempre fui espiritualista. E acredito na imortalidade do espírito. Falar de morte para mim nunca foi tão difícil. Quero com a simplicidade do texto, tocar o coração das pessoas¨.
A concepção cênica de Ferrazé realista, está focada na interpretação dos atores e pretende reforçar o teor poético do texto.
O diretor conta que tinha visto Um Dia Você Vai Entender,peça muito bem sucedida do amigo Kiury,e gostado muito. Quando terminou a leitura de Nosso Luto, já estava totalmente envolvido com a trama e logo pensou na escalação do elenco e equipe. ¨Nosso Luto é uma ode à vida, declara¨.
O cenário traz uma estrutura simples, com algumas caixas espalhadas pelo palco. A luz acompanha a estrutura do cenário, com um desenho de luz que privilegia a cor branca e figurinos de cor neutra. Apenas a protagonista realiza uma troca de roupa durante a apresentação.
A trilha sonora é formada por composições criadas especialmente para a montagem, criadas pelos músicos Ricardo Leopoldi e Mion.
Após todas as sessões, haverá bate-papo com um(a) psicólogo(a) convidado(a).
AUTOR, DIRETOR E ATORES FALAM SOBRE A PARTICIPAÇÃO NESSA MONTAGEM:
Kiury- Autor e assistente de direção
“A escolha do elenco foi um trabalho em conjunto com o diretor. Tinha o desejo do clima ser leve nos bastidores, pois o tema pede essa suavidade.Os atores foram escolhidos a “dedo”. Resolvemos não fazer testes. Sondamos pouquíssimos profissionais e, depois de alguns ajustes, chegamos ao resultado final. Já conhecia as atrizes e o Rodrigo já conhecia os atores. Trabalhar com esse grupo está fluindo bem. Eu gosto de dividir, pois não tenho a necessidade de estar sempre dirigindo. Gosto de trabalhar com equipe.A escolha do Rodrigo não veio à toa, pois já tinha o desejo de fazer uma parceria profissional com ele. Tanto o Rodrigo quanto o elenco gostam do tema. Eu queria reunir pessoas que embarcassem nessa ideia.Todos têm consciência que seremos usados para levar essa mensagem”.
Sobre a morte e a dor da perda:¨Durante a minha vida, eu vi várias pessoas partindo...É um sentimento que vivo desde a infância: meu pai “faleceu” quando eu tinha 6 anos de idade. Não conheci minha avó paterna, mas cresci com essa vontade de saber mais sobre sua história. Nos meus 13 anos e no dia do meu aniversário, um bebê, que morava na frente da minha casa, “morreu” atropelado. Na adolescência, “perdi” minha avó materna. Um amigo meu se foi com leucemia. Tive uma professora inesquecível na infância, que se foi anos atrás. Essa professora foi a primeira pessoa que viu meu lado artístico. E "perdi" também essa amiga. O nome de todos eles está no texto. Também encaixei nome de pessoas que não partiram, mas que quis homenagear, pois acredito que a vida é cíclica e eterna. Um dos personagens leva o nome do meu segundo mestre de Teatro. E cito o nome da minha mãe, amigos e colegas no texto. Criei uma forma para fazer isso...”
Diretor Rodrigo Ferraz
¨Trabalhar com Kiury é muito bom;além de um dramaturgo competente, ele, como assistente de direção, dá sugestões precisas e sempre respeita muito minha posição de direção, além de me estimular a criar¨, diz.
Ressalta que o elenco é de uma preciosidade impar. Todos têm muita sintonia fina; todos têm muito carinho um pelo outro. ¨São 4 atores talentosos e entregues; nesse processo, saí da minha zona de conforto, criei jogos pra eles entenderem mais seus personagens e fiz de tudo pra ser um processo orgânico!”
Ferraz define a morte como um momento que faz parte do ciclo da vida, mas diz que a passagem para quem fica sempre é de dor. ¨Quero fazer essa peça principalmente em homenagem a todos que se foram e que eu vou amar eternamente¨, finaliza.
Elenco:
Ju Carrega
A atriz conta que sempre acompanhou o trabalho do diretor. ¨ Quando ele me chamou para fazer parte do elenco, meu coração disparou! Fiquei em êxtase! Estou em uma experiência incrível! Com relação à direção de Rodrigo Ferraz, salienta a sua sensibilidade para reger as cenas: ¨Cada palavra dita por ele entra em mim e já sinto pulsar a prática”, avalia. A atriz também elogia o elenco: ¨O nosso elenco tem uma conexão que parece de anos e essa energia reflete no nosso trabalho, que cada dia fica mais fortalecido¨.
Com relação ao tema abordado na peça, diz que sempre teve medo de perder alguém muito próximo. ¨Perdi uma tia hádois anose isso desestruturou muito a nossa vida. Asaudade sempre fica e apesar da minha tia ser próxima, eu não senti esse luto por muito tempo! Tenho medo do dia que eu tiver que passar por isso, mas a experiência nessa peça me fez abrir um pouco a cabeça e acho que estou mais fortalecida com relação a esse assunto¨, conta.
Sergio Seixas
¨Eu faço muito comédia. Fazer um drama está sendo uma experiência enriquecedora. Estou gostando do processo de trabalho, que está sendo muito calmo, muito tranquilo, com muito carinho e respeito de todos. Estou gostando principalmente por causa do tema que estamos tratando, que é tabu para muita gente. Começamos a divulgar a peça no facebook e no meu perfil ninguém teve coragem de curtir, e isso aconteceu talvez pelo tema. Acredito que fazer a temporada com a peça será muito interessante porque poderemos mostrar que é possível falar da morte de uma maneira bonita e romântica¨, diz o ator sobre a experiência de atuar no espetáculo.
Sobre a morte: ¨ A morte é para mim é solidão e também libertação, porque acredito que existe continuidade. Sou católico, mas também respeito o espiritismo e vejo aqui como uma passagem! Ok, estamos aqui na Terra para aprender, mas muitas vezes questiono o porquê de estarmos presos num corpo se existem coisas mais bonitas em outros planos¨.
Danilo Rodriguez
¨O que me impulsionou a aceitar esse trabalho foi o tema, que fala da dor, mas também da superação. Como ator, encaro sempre um novo trabalho como um desafio, um exercício. A experiência está sendo ótima com todos - muita troca e respeito.
Para mim, a morte não é o fim, é só uma passagem para renascer em outro lugar. Mesmo assim, é muito difícil lidar com ela, dói, respeito meu tempo, meu choro e meu luto, deixo durar o tempo necessário¨.
Carola Valente
¨Foi uma honra ter sido convidada pelo Kiury para participar desse espetáculo. Sou amiga dele faz algum tempo e achei a proposta muito legal. A peça aborda um assunto que me interessa. Sou católica por opção, mas sou aberta a todas as crenças. O bacana dessa peça é que ela é espiritualista sem defender nenhuma religião. Estou muito feliz com a minha personagem (a Helô) porque ela dá força para a amiga. Como ela é leonina, ela é a mais “alto astral” entre todos os personagens; ela é só coração. Também estou muito feliz porque toda a equipe teve um ótimo entrosamento desde o início. A nossa energia é muito boa e o Rodrigo Ferraz é um diretor incrível, que fala o que é preciso, e por isso a minha personagem está crescendo cada vezmais¨, diz.
Com relação à morte, é um assunto complicado para mim porque eu tenho medo dela. Aomesmo tempo que sei que morrer é um desprendimento do nosso corpo material(e acredito que depois vamos para outro plano), quando morre alguém muito próximo de mim fico muito tocada. Ao fazer esse espetáculo, tenho que trazer esse assunto à tona e isso estáme fazendo muito bem¨.
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL DO AUTOR, DIRETOR E ELENCO:
Sobre Kiury
É dramaturgo, produtor, diretor, dançarino. Trabalhou nos projetos: Escola da Família, Recreio nasFérias e SP é uma Escola. Destaque para os espetáculos: "Os Cabeças Quadradas", com concepção e direção de Walter Portella; "O Canalha", texto de Nelson Rodrigues, também com direção de Portella (Projeto Novos Talentos, do Teatro Popular do SESI); Musical Mãe Gentil, concepção e direção de Ivaldo Bertazzo;"Anjos Rodriguianos",Fragmentos de textos do Nelson Rodrigues, com direção de Péricles Martins; "Revaudeville", concepção e direção de Lady Burly; "Phedra por Phedra", com roteiro e direção de Robson Catalunha.Interpreta Carlitos em eventos e escreveu o espetáculo adolescente "Um Dia VocêVai Entender", encenado em vários teatros da Cidade de São Paulo.
Sobre Rodrigo Ferraz
Diretor, ator, apresentador, jornalista, produtor e cineasta. É especialista em projetos transmídia. Estudou na SP Escola de Teatro, Academia Internacional de Cinema, em união à Fundação Getúlio Vargas, Oficina de Atores Nilton Travesso e Recriarte Actor School. Faz matériassobre cultura para o site O Cabide Fala. Assistente de direção em "Lixo e Purpurina" (baseada na obra de Caio Fernando Abreu) e em "Luz Negra”, da Cia Pessoal do Faroeste. Foi o responsável pelo "Projeto (transmídia)Sim e Não",em homenagem à atriz EttyFraser,realizado nas Satyrianas de 2011, ediretor e produtor do espetáculo"O Que Terá Acontecido a Nayara Glória?!". No cinema, Interpretou Catita, no curta-metragem de Luciana de Júlio, e foi produtor de elenco do curta-metragem "Quando me Tornei Artista", de Davi Kinski. Produtor do viral Hospital Feliciano Maravilha, da Produtora Gengibre Multimídia, entre outros.
Ju Carrega
Atriz e cantora, estudou moda na universidade europeiade Madrid.Participou da Oficina dos Menestréis e estudou na Escola Incenna. Entre os espetáculos de que participou, estão:"A Babá",texto de Juca de Oliveira, direção de Edson Gon; ¨Ciclo da pretensão", texto e direção deKleber Mazziero;na Oficina dos Menestreisparticipou de ¨Noturno", "Vale Encantado" e "Lendas e Tribos, de Oswaldo Montenegro e direção de Beto Montenegro; "Os Três Porquinhos, musical, com texto e direção de Gustavo Zanetti;Brinquedos, a Saga", com texto e direção de Gustavo Zanetti, e "Peter Pan",com texto e direção de Peri Lima. Na TV, participou do elenco de apoio do seriado "Antonia",com direção de Tata Amaral e Jorge Furtado, na Rede Globo.
Sergio Seixas
Ator, cantor e produtor de elenco, formado pela Escola Célia Helena. Participou dos seguintes espetáculos: "Os Disponívels.com", texto e direção de Herny Domingues; ¨As Santinhas Periguetes", texto e direção de Carlos Melo; "Vida Louca Vida", musical em homenagem ao Cazuza, com texto e direção de Dan Roseto, "Um Drinque Antes de Morrer” e "Maria João no submarino amarelo rumo ao Céu de Diamantes”, musical em homenagem aos Beatles, trabalho também realizado também com Dan Roseto.Na TV:no momento, é produtor de elenco da novela Carinha de Anjo (SBT).Também no SBT, atuou nas novelas "Chiquititas", "Amor&Revolução" e "Cúmplices de um Resgate". Participação Especial no Seriado da Rede Globo "Felizes pra Sempre?", dirigido por Fernando Meirelles. Como cantor, integrou o elenco das óperas "Cavalheria Rusticana", "Tosca" e "Manon Lescaut", entre outras, no Teatro Municipal de São Paulo.
Carola Valente
Atriz e performer formada pela Escola Superior de Artes Célia Helena. Carola também é formada em fotografia pela Escola Panamericana de Artes e Design. Espetáculos: "Mais um", direção de Eduardo Okamoto; "Estudo Hamlet", direção de Ruy Cortez; "A visita da velha senhora", direção de Marco Antonio Pâmio; "Pacientes - Quanto Tempo", direção de Bete Dorgam, todos no Teatro Escola Célia Helena; "HumaNus", direção de Fernando Dom Castilho. Faz parte do grupo "Bola Quadrada" onde interpreta a Chiquinha, baseada na personagem do Seriado "Chaves". Madonninha, sua personagem em homenagem à cantora Madonna nos anos 80, faz apresentações pelo país e programas de TV.
Danilo Rodriguez
Ator.Participou dos seguintes espetáculos: ¨Nelson Em Comodo", direção de Alexandre Caetano, noCentro Cultural de Mogi Mirim/SP; "Ligações Perigosas", direção de Ricardo Rizzo; "Mormaço", direção de Zé Henrique de Paula e produção do Núcleo Experimental; também no Núcleo Experimental, atuou em "Cabaret e o tal do mundo não acabou", direção de Fernanda Maia; "H.A.M.L.E.T.", direção de Juliana Galdino, produção do Club Noir; "Cromosomos", direção de Moisés Miastkwosky; "Nosso Lar, a Morada da Esperança¨, direção de André Catelanni. Com a Cia MasPQ?, direção de Peri Lima, fez Aladim, Pinóquio, Peter Pan, entre outros espetáculos infantis. Na TV,participou dos seriados da HBO, "O Negócio" e “PSI”, direção de Michel Tikhomiiroff.
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