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Entrevistas e dicas de espetáculos

Teatro Vivo SP - Eduardo Moscovis está brilhante no (brilhante) espetáculo O Motociclista no Globo da Morte
Publicado em 10/03/2026, 22:00
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A vida é cheia de surpresas e contradições; o mundo espetaculariza a dor, as tragédias, as guerras, a violência. Mas nada mais atual, infelizmente, do que a idiotice, o desrespeito; a homofobia, o racismo, a misoginia causando atos absurdos, crimes inaceitáveis.
Notícias "quentinhas": feminicídios, garotos estuprando como se esse ato horrendo fosse passível de explicação e perdão; um homem de 35 anos, uma garota de 12 anos e ainda tem gente que desculpa a pedofilia (mas existe amor, é casamento!).
Uma moça é arrastada pela marginal; garotos (que representam a hipocrisia do "Deus, Pátria e Família) matam um cãozinho pra satisfazer um prazer nojento e mórbido e depois vão passear na Disney, no mesmo país onde um governante egocêntrico e sanguinolento invade países e transforma o mundo em um caos; a pequenez e mesquinhez imperam. Mas a mídia ama tudo isso - quanto mais sangue, mais notícia que gera curtidas, visualizações e dividendos.
Viver em paz é o sonho de todos que tentam agir de forma honesta, mas até que ponto conseguimos controlar impulsos diante de situações deploráveis do cotidiano?
Bem sabemos que "fazer justiça com as próprias mãos" não faz com que um crime seja punido.
Violência só gera mais e mais violência.
Mas se partirmos da premissa que todos os seres humanos têm um lado bom e outro ruim, que controlar impulsos requer muito esforço, é possível compreender o que ocorreu com o matemático Antônio, aparentemente centrado, pacífico, comum e que vê a sua vida virada "do avesso" após um dia comum, num bar que ele sempre frequentava.
Nesse local, num dia qualquer, na hora do almoço, Antônio encontra um xará, grotesco, misógino e que comete uma atrocidade. Ele poderia ser um mero espectador, mas num momento de descontrole, ele não consegue se conter.
Em O Motociclista no Globo da Morte, Eduardo Moscovis é o Antônio que vai ao bar perto de sua casa para almoçar, em um dia aparentemente como outro qualquer, e ali contribui para que a estatística de violência ganhe mais um número.
Cometer um ato cruel para punir alguém que cometeu um ato (também cruel) é desculpável?
O que leva alguém a desrespeitar o próximo? Como alguém pode cometer atrocidades em nome de um prazer sórdido?
No palco, uma cadeira, um copo de água e um ator estupendo.
Antônio está diante de prováveis jornalistas e conta em detalhes como é mergulhar num globo da morte, fruto de um cotidiano cruel, onde a violência é tão banalizada.
Com narrativas, reflexões, e sem grandes julgamentos, acompanhamos o quanto o ser humano é complexo e quanto o limite entre controle e descontrole, bondade e maldade, justiça e atrocidade são tênues.
Num piscar de olhos, o mundo desaba sobre as nossas cabeças e valores são destroçados. A narrativa de Antônio revela as várias faces, as várias camadas de um ser humano.
O nosso olho de espectador fica grudado em Du Moscovis. É um grande ator dando voz, com maestria, a um relato arrebatador.
Moscovis permanece sentado, sem movimentações corporais, mas o seu corpo age, o seu olhar é penetrante, cada frase ganha uma força incrível para o personagem tecer uma teia de raciocínio que consiga expor o quanto ele sempre buscou a sensatez e o quanto a perda do controle pode colocar em xeque os nossos valores.
Um texto atualíssimo de Leonardo Netto. Rodrigo Portella guia Du Moscovis com precisão para que cada fala tenha um motivo, cada gesto e olhar uma intenção, e assim, num emaranhado de ideias e pensamentos, o desenho de como o fato no bar ocorreu é desvendado. Mas, no fundo, nada explica com exatidão o que leva um ser humano a cometer atrocidades e, por isso, o silêncio carrega um peso estrondoso. O silêncio carrega a dor, a surpresa, e só ele nos faz engolir, sem também perder o controle, um relato tão avassalador.
Um depoimento com uma carga dramática cortante e uma força cênica brilhante. Olho no olho, com a luz da plateia acesa, todos juntos, ator, personagem, público, todos embasbacados com o fato apresentado, porém, com a mesma capacidade de "perder a cabeça" .
Somos condicipnados a manter a calma, mas o dia de deixar o sangue ferver pode chegar.
Antonio está atônito porque nunca imaginou perder o controle, mas quando perdeu, agiu de forma tão abominável quanto o seu xará.
Corram para o Teatro Vivo!
É o teatro que faz a gente pensar sobre a vida e o horror dos atos humanos.
Na sala de espetáculos a vontade é de gritar e já fora do teatro, a ânsia por um mundo em paz é maior do que nunca.
Assim como os motociclistas no Globo da Morte Circense, que geram tensão, andam de forma cíclica, em velocidade e cruzando uns com os outros, com uma frieza enorne, sem emoção, só técnica (e um erro milimétrico pode causar graves acidentes), a vida gira rápido, com encontros cada vez maus casuais e a cada segundo estamos suscetíveis a cruzar com pessoas frias, que cometem atos violentos e desrespeitosos.
Corram para o Teatro Vivo!

TEMPORADA
Sex e Sáb 20h | Dom 18h
até 29 de março de 2026

Ficha Técnica:
Texto: Leonardo Netto
Direção: Rodrigo Portella
Assistência de Direção: Milla Fernandez
Trilha Musical: André Muato
Iluminação: Ana Luzia de Simoni
Figurino: Gabriella Marra
Direção de Movimento: Tony Rodrigues
Estudos Visuais em IA: Zezinho Mancini
Produção Executiva: Marcella Castilho
Direção de Produção: Sérgio Saboya e Silvio Batistela
Produção Geral: Eduardo Moscovis e Sérgio Saboya
Duração: 60 minutos
Classificação: 14 anos - (Descrição gráfica de violência)
- Contém cenas que podem despertar gatilhos emocionais;
Ingressos: R$150
Ponto de Venda Sem Taxa de Conveniência: Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 (antigo 860) – Morumbi
Bilheteria: Fone: 11 3430-1524 - Funcionamento somente nos dias de peça 2h antes da apresentação
Totem Sympla: De segunda a sexta em horário comercial
Estacionamento no local - Entrada pela Av. Roque Petroni Junior, 1464
Valor R$30
Funcionamento: 2h antes da sessão até 30 minutos após o término da apresentação.

No Festival de Curitiba
4 e 5 de abril
Teatro Paiol
Ingressos esgotados!
O Motociclista no Globo da Morte - @omotociclistanoglobodamorte
Direção: Rodrigo Portella
Quando? 04 de abril às 19h e 21h e 05 de abril às 19h e 21h
Onde? Teatro Paiol
Classificação Indicativa? 14 anos
Gênero: Drama
Duração: 60 minutos
Clique nas imagens para ampliar:



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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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