Entrar em contato com o legado de personalidades que ajudaram a construir um mundo mais justo e inclusivo é sempre uma oportunidade valiosa.
É o caso do filósofo inglês Henry Sidgwick (1838–1900), figura central nos estudos de ética e utilitarismo, defensor do Estado laico e precursor da inclusão das mulheres no universo acadêmico.
Com dramaturgia original de Paulo Gustavo Guedes Fontes, a peça O Dilema de Sidgwick resgata a trajetória desse pensador na Inglaterra Vitoriana — um período marcado por transformações políticas e científicas, mas ainda sob o peso de dogmas conservadores. O teatro, ao cumprir sua vocação de entreter, suscita reflexões profundas e urgentes sobre respeito, ciência e inclusão.
A trama parte de um conflito central: professor na Universidade de Cambridge, Sidgwick é pressionado a jurar fidelidade aos 39 Artigos da Fé Anglicana para manter seu cargo.
Diante de suas pesquisas e convicções, o filósofo enfrenta uma crise de consciência: ceder à exigência seria trair a própria ética. Ele pede demissão e, pouco depois, o juramento deixa de ser obrigatório.
A partir desse dilema, o texto aborda ciência, fé e ética por meio das relações de Sidgwick (Augusto Zacchi) com figuras essenciais de sua vida: a parceria com a esposa, Eleanor (Amazyles de Almeida); a admiração pela Srta. Jones (Adriana Lessa), primeira mulher a se doutorar em Cambridge; a amizade com o poeta Symonds (Carlos de Niggro); e os embates com o cunhado, Bispo Benson (Luiz Amorim), que contrasta com o olhar ainda mais dogmático do Padre John (Silvio Giraldi).
Destaca-se também a presença da Sra. Piper (Tuna Dwek), inspirada na célebre médium norte-americana que marcou as pesquisas de Sidgwick na Society for Psychical Research (SPR).
Em um contexto contemporâneo em que a ciência é questionada, a religião é instrumentalizada e a educação enfrenta retrocessos, o espetáculo ganha relevância ímpar.
O elenco experiente confere profundidade às contradições da época. As atuações de Carlos de Niggro e Adriana Lessa agregam uma camada sutil e potente de representatividade negra.
A relação afetuosa entre Sidgwick e o poeta gay Symonds toca pelo respeito, enquanto a conquista do doutorado pela Srta. Jones emociona no palco.
Tuna Dwek, por sua vez, dá vida à médium com sotaque preciso e sem caricaturas, compondo, ao lado das colegas, um trio de personagens femininas marcantes.
Tuna é uma grande dama dos palcos, sempre com trabalhos instigantes porque nunca se repete. Sempre com voz/entonações, gestos e olhares que traçam com maestria as características dos personagens que interpreta.
A direção sensível de Bruno Perillo prioriza a força da palavra, a intensidade do olhar e o destaque à presença feminina em cena. A encenação ganha dinamismo com a iluminação de Aline Santini, a trilha sonora de Daniel Maia e o figurino sóbrio e elegante de Marichilene Artisevskis.
O Dilema de Sidgwick é uma oportunidade imperdível para refletir sobre a ética no passado e no presente.
@odilemadesidgwick
Informações do Espetáculo e Ficha Técnica
Entrada gratuita. (Ingressos distribuídos na bilheteria do teatro 1 hora antes de cada apresentação).
Serviço
Espetáculo: O Dilema de Sidgwick
Temporada: 8 a 30 de agosto de 2026 (Sábados e domingos, às 18h30)
Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno | Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo/SP
Capacidade: 149 lugares
Duração: 90 minutos
Apresentações: 8 sessões
Ficha Técnica
Texto: Paulo Gustavo Guedes Fontes
Direção: Bruno Perillo
Elenco: Adriana Lessa, Augusto Zacchi, Amazyles de Almeida, Carlos de Niggro, Luiz Amorim, Silvio Giraldi, Tuna Dwek
Cenografia: Simone Mina
Figurino: Marichilene Artisevskis
Desenho de iluminação: Aline Santini
Trilha sonora: Daniel Maia
Direção de movimento: Marina Caron
Operador de luz: Gui Pereira
Operadora de som: Natália Francischini
Contra-regra: (A definir)
Fotografia: Ronaldo Gutierrez
Visagismo: Loeni Mazzei
Mídias sociais e Design gráfico: Fernanda Souza
Produção Executiva: Renata Bertelli
Direção de Produção: Vi Silva
Coordenação e Produção: Julio Comparini
Assistência de Produção: Sofia Augusto
Gestão Administrativa e Financeira: Gustavo Sanna
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