Kafka - entre portas que nunca abrem, é um texto de @efranbueno, que está no palco e assina a direção.
A peça traz pensamentos de Kafka entremeados com a visão de Bueno sobre como é a vida contemporânea.
No Guairinha. Sábado às 21h e domingo às 19h.
Imperdível!
A peça é uma realização da Cia Delírio, de suma importância para o teatro curitibano e fundada por Áldice Lopes e Bueno em 1984.
42 anos da Cia Delírio e 44 anos de profissão desses grandes artistas. As obras de Kafka captam com maestria a crueldade do cotidiano através de seres estranhos, fora dos padrôes do que a sociedade instituiu como "normal". São apresentadas histórias absurdas beirando o realismo fantástico.
O limite é tênue entre vida e morte, real, imaginário e ilusão.
Num momento em que a humanidade continua doente, esse espetáculo traz percepções de Kafka sobre uma realidade que desde o século XIX não muda significativamente: as guerras em nome da justiça, mas que na verdade atentem interesses de poder; a violência destruindo vidas devido à homofobia/transfobia, racismo, xenofobia, misoginia e por aí vai. Uma realidade trágica onde a fome, miséria e a violência em todas as suas formas são normalizadas.
O povo anestesiado praticamente não age, poucas pessoas gritam por justiça e paz. Os governantes lucram com o horror. O amor é utopia! No palco, cinco excelentes atores interpretam personagens que estão num lugar sem possibilidade de saída. Eles não sabem muito bem o que fazem ali. São vigias, mas vigiam quem? Por qual motivo estão ali? Acreditam que são vigilantes da paz, da felicidade, do sono e dos sonhos da humanidade. Será mesmo? Ou estão dentro do sonho de alguém, ou deles mesmos? Estão ao redor de uma mesa e os ânimos estão quentes com picos de explosões de sentimentos.
Um pianista executa a trilha ao vivo dando mais força ao que está sendo encenado.
A luz é turva dando ao espaço um ar nublado, reforçando as incertezas dos personagens.
Enfim, o público tem um enigma para decifrar, se consegue ou não, é outra história.
Assista ao espetáculo para saber a resposta, ou sair com mais indagações ainda.
Num período de 1h e pouco, os personagens não param de falar e expor questionamentos sobre as suas funções e sobre o ser humano. Em certo momento, tentam sair da clausura, mas é impossível. Todo artista tem o dom de transformar em arte as benesses e as mazelas de tudo o que nos cerca.
Para Kafka, a vida é uma burocracia desmedida e Bueno, muito apaixonado por pelo escritor, tece uma reflexão que evidencia o quanto a obra de Kafka é pertinente e atual, realizando uma análise precisa dos dias de hoje.
No início e no fim da apresentação, tem falas explicativas sobre a importância de Kafka e o seu legado, num grito por um mundo mais harmônico.
Essas falas têm um tom didático, como admite Édson Bueno, mas como ele mesmo acredita: a peça fala de assuntos urgentes e o didatismo serve para reforçar que estamos precisando de muita harmonia. E, claro, tudo é colocado no palco de forma teatral e inteligente.
Esse novo trabalho integra, de modo informal, uma Trilogia de Sucesso: A relação do diretor com o autor rendeu montagens históricas e premiadas, como Kafka – A Vigília (2012) e Kafka – Escrever É um Sono Mais Profundo do Que a Morte (2009), que levou o Grupo Delírio a ser agraciado com cinco estatuetas do Troféu Gralha Azul.
Kafka – Entre Portas que Nunca Abrem
Apresentações: 29 a 31 de maio de 2026 (sexta e domingo)
Sexta e sábado, às 21h
Domingo, às 19h
Local: Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha) | R. XV de Novembro, 971, Centro, Curitiba-PR
Tempo de duração do espetáculo: 65 minutos
Classificação etária: 14 anos
Especificação do espetáculo: Teatro
Ingressos: R$ 80 (inteira) | R$ 40 (meia-entrada), à venda pelo DiskIngressos e na Bilheteria do Teatro Guaíra
Informações:
FICHA TÉCNICA: Texto e Direção - Edson Bueno | Com Guga Cidral, Wilyah Schmitt, Luciano Maccio e Paulo Marques | Participação especial de Edson Bueno | Pianista: Luke Machado
|