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Críticas - Teatro Adulto

Curitiba - REVISITANDO A GRANDEZA QUE SOMOS- Cartas para Tereza de Benguela reverencia todas as mulheres pretas, de todos os tempos
Publicado em 24/04/2026, 22:00
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O cuidado da produção começa já no saguão, com detalhes que já nos fazem mergulhar na proposta do espetáculo: saudar Tereza de Benguela e o seu legado através das cartas.
Símbolo da resistência preta feminina, Teresa de Benguela ganha uma homenagem bela no teatro.
Com poesia, o espetáculo provoca uma imoortante reflexão sobre o quanto é essencial que a vida de Terezas, de Marias e de tantas e tantas mulheres negras, de todos os lugares do mundo, sejam saudadas na arte e sejam fonte de pesquisas para que nunca mais exista nenhuma privação na vida causada pela cor de pele, nacionalidade, crença, gênero e orientação sexual.
O espetáculo reverencia as mães que lutam para que os filhos tenham um futuro promissor, num mundo racista e misógino. Reverencia a amizade e a esperança.
No texto, palavras de força, amor, respeito e resistência.
Ser mulher já é complicado, imagino como é ser mulher preta. Ou, melhor, impossível até imaginar porque não tenho lugar de fala. Sou branca! Só que para cada mulher preta que é desrespeitada, o meu coração sangra.
Para cada preta, cada preto, cada ser humano que sofre racismo, a minha indignação é enorme e clamo por justiça.
Em cena, duas atrizes e cantoras, pretas, com sonhos, desejos, conquistas e frustrações e que não deixam a memória de Tereza ser esquecida.
Ao homenageá-la elas também homenageiam as suas próprias memórias e as suas ancestralidades africanas e brasileiras.
Sâo duas amigas que conversam sobre as benesses e mazelas da vida e que têm em comum a figura de Tereza de Benguela como exemplo para as suas vidas e ações.
Tereza foi uma liderança quilombola do século XVIII e continua viva na memória dessas comadres. Ela assumiu o comando do maior quilombo da capitania de Mato Grosso após a morte de seu companheiro, José Piolho, e merece atenção por ter conseguido ocupar espaço num ambiente patriarcal.
O apagamento da chamada história oficial é um fato, mas através do teatro podemos entrar em contato com uma preciosa saga de luta pela sobrevivência e contra a escravidão.
Acompanhamos uma história de luta que se perpetua até hoje, pois apesar de muitos avanços, ainda temos escravidão pelos rincões do Brasil e mesmo nas capitais. E, claro, os casos divulgados, em fazendas, trabalhos domésticos, etc, vitimizam os pretos. Além disso, o racismo hoje é crime, mas os números de casos que presenciamos estão cada vez mais alarmantes; é algo nojento e estrutural. Combatê-lo é tarefa de todos nós.
A arte é um meio precioso para que isso ocorra com louvor. Só para citar entre os episódios recentes: a senhora de Brasília, de 70 anos, que em pleno reduto preto (Salvador) cometeu racismo e foi presa. Ficou indignada e ainda disse ter ascendência africana. Muita cara de pau!
A morosidade da justiça e as condenações brandas ainda são um entrave para que qualquer propagação de desrespeito e crime sejam banidas, mas a riqueza do legado é maior do que as mazelas enfrentadas e é valorizando a identidade negra que podemos vislumbrar um futuro mais harmônico.
A peça é interpretada por Flávia Imirene e Sol do Rosário, com direção de Sabrina Marques.
O processo de criação contou com experiências no Quilombo Paiol de Telha, em Guarapuava, e integra o trabalho do OMI Núcleo Artístico em parceria com a Cavala Produções, misturando realidade e ficção.
É uma montagem encantadora, onde amanam a força das palavras e a energia da música afro-brasileira ligada à fé religiosa e ao samba. Vale ressaltar a beleza das canções originais, criadas especialmente para a peça.
Os figurinos são belíssimos e evocam a luz da religiosidade, a grandeza dos orixás, o valor da paz, da amizade e do respeito.
Produções A luz é um grande destaque.
O iluminador Nando Zâmbia ministrou a oficina gratuita “Ará Izô - Corpo que Queima” - o corpo como campo de criação, energia e memória, um veículo para a dança, teatro e musicalidade afro-brasileira, manifestações artísticas presentes no espetáculo que é sensorial, com alto teor estético e com uma dramaturgia corporal para reforçar a força e a importância do que está sendo dito.
A luz acompanha a narrativa que celebra os saberes ancestrais com as cores de fogo, força e também tons neutros com arandelas de luzinhas que servem de espaço para receber a alma de Tereza que contin

Obs: Durante a temporada, todas as sessões contam com intérprete de libras. Nos dias 25 e 26 de abril, haverá apresentações com audiodescrição.
No dia 25, o público também poderá participar de uma visita guiada ao espaço cênico antes do espetáculo, voltada especialmente a pessoas cegas ou com baixa visão.


Serviço:
Revisitando a Grandeza que Somos — Cartas para Tereza de Benguela
De 16 a 26 de abril de 2026
22 a 24 de abril (quarta a sexta) - 14h30
22 a 25 de abril (quarta a sábado) - 20h
26 de abril (domingo) - 19h
Local: Teatro José Maria Santos | R. Treze de Maio, 655, São Francisco, Curitiba
Tempo de duração do espetáculo: 1 hora
Classificação etária: Livre
Especificações do espetáculo: Teatro
Acessibilidade: Libras, audiodescrição e visitas guiadas para pessoas cegas ou com baixa visão
Entrada gratuita: Ingressos distribuídos 1h antes do espetáculo na bilheteria do Auditório

Ficha Técnica:
ELENCO: Flávia Imirene, Sol do Rosário | EQUIPE CRIATIVA: Direção: Sabrina Marques | Dramaturgia: Flávia Imirene | Textos: Sol do Rosário, Sabrina Marques, Flávia Imirene | Direção de Movimento: Priscila Pontes | Direção Musical: Matheus Santos | Música Original: Sol do Rosário, Sabrina Marques, Flávia Imirene | Arranjos: Evangivaldo Santos | Operador de Som: Carlos Alberto Cortes Espejo | Iluminação: Nando Zâmbia | Figurino: Carla Torres | Caracterização e Maquiagem: Kênia Coqueiro | Social Media: Maria Carolina Felício | Foto de Divulgação: Lelo Sasso Fotografia | Identidade Visual: Keyla Queiroz | Direção de Produção: Vida Santos | Produção Executiva: Dan Ramos | Coordenação de Projeto: Sabrina Marques | Produção: Omi Núcleo Artístico e Cavala Produções A luz é um grande destaque.
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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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