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Críticas - Teatro Adulto

Renato Borghi comemora 65 anos de carreira no Teatro Oficina com O que nos mantém vivos?
Publicado em 30/09/2023, 23:00
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O que nos mantém vivos?

A peça une artisticamente o Teatro Promíscuo e o diretor Rogério Tarifa.

Elenco Renato Borghi, Débora Duboc, Elcio Nogueira Seixas, Nath Calan e Cristiano Meirelles.

Falar em Renato Borghi é reverenciar um dos nossos grandes atores que vive para o teatro.
São 65 anos de uma carreira brilhante com muitos trabalhos memoráveis, com destaque para O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, que estreou em 1967 no Oficina e que 50 anos depois fez temporada com Renato e Zé Celso novamente em cena. Borghi pleno, magnífico!
Borghi retorna ao Teatro Oficina cinco décadas depois com o espetáculo “O QUE NOS MANTÉM VIVOS?”.
Borghi e Zé Celso fundaram o Teatro Oficina e essa temporada nesse templo da arte homenageia o Zé com muita emoção.
Zé e Renato, um amor eterno, amizade eterna. Nasceram no mesmo ano e no mesmo dia. Se conheceram na Universidade São Francisco da USP cursando Direito. Um encontro de almas e o presente quem recebeu? Os amantes do teatro que possuem o privilégio de acompanhar a carreira de dois monstros sagrados do palco.
Zé partiu para o outro plano, mas a sua luz emana lindamente na arte.
O que nos mantém vivos? é a celebração do teatro e da vida, especialmente a vida de Borghi, sem deixar de lado a reflexão sobre o mundo atual pós pandemia e pós um governo de tendência fascista. Um manifesto em pról da vida, clamando por um maior respeito pela arte e gritando por um mundo mais justo.
O QUE NOS MANTÉM VIVOS? é o teatro do Promíscuo, fundado em 1993 por Borghi e Elcio Nogueira Seixas, pulsante e vibrante , produzindo uma peça definida como Ato-Espetáculo-Musical.
Com direção de Rogério Tarifa e dramaturgia de Elcio Nogueira Seixas, esse trabalho é a continuação de um estudo pertinente sobre Brecht, crítico e extremamente atual, realizado por Borghi em O QUE MANTÉM UM HOMEM VIVO? criado em 1973 por Renato Borghi e Esther Góes, e que foi remontado anos depois por Borghi, Elias Andreato e Marcio Aurélio, e finalmente em 2019, pré pandemia estreou no Sesc Consolação a sua última versão.
Esse trabalho mostra a magnitude de um artista que vê no teatro um meio de transformação.
A estreia nos anos setenta de O que mantém um homem vivo? ocorreu, é importante dizer, num momento muito tenso devido à ditadura militar e à censura por ela imposta. Foi um ato de coragem de dois atores magníficos, na época casados, que além do talento, têm em comum a vontade de fazer um teatro questionador.
Se este espetáculo já merece todos os aplausos possíveis, O que nos mantém vivos? têm um frescor crítico fascinante, colocando em xeque o desespero da fome, a pobreza que gera ações muitas vezes condenáveis, mas necessárias para a sobrevivência, a ganância que promove a injustiça e a ignorância que mata e desrespeita o próximo em nome de ideias doentes e deturpadas defendidas por hipócritas nojentos e falsos moralistas. Impossível não ficar impactada.
Saímos dos 4 anos de terror bolsonarista, mas a ascenção da extrema direita é algo preocupante que mostra o quanto a mesquinhez impera no coração de pessoas sem empatia alguma.
O teatro pode, e deve, contribuir para aprimorar o senso crítico do espectador e para que ele perceba o quanto governos totalitários são violentos.
“O QUE MANTÉM NOS MANTÉM VIVOS?” é a arte que promove a reflexão sobre a própria arte e sobre as mazelas humanas. Entre cenas de peças de Brecht, que aborda com maestria questões sociais, Borghi relembra a sua trajetória.
As obras Santa Joana dos Matadouros, Galileu Galilei (encenada no Oficina em 1968), Arturo Ui e O Rei da Vela nos colocam diante da contradição humana, as mazelas da vida em sociedade e as injustiças realizadas em nome da religião e do desenvolvimento capitalista.
A indagação que dá o titulo à montagem foi feita por Renato Borghi quando ele foi submetido a uma cirurgia no coração pouco antes do começo dos ensaios, em 2020, ainda num momento sério da pandemia e com um negacionismo absurdo atrasando a aplicação da vacina contra a Covid 19. Segundo Borghi: “Aquela experiência radical de ter meu coração arrancado e colocado sobre uma mesa fria me deu vontade de colocar meu coração toda noite sobre o tablado para fazer essa pergunta ao público”.
Essa fala está presente no palco e nos faz pensar sobre o quanto ver em cena um ator de 86 anos em plena atividade, com operações na coluna e uma ponte de safena, é um presente. Claro que a mobilidade não é a mesma de outrora, mas a cabeça fervilha e a sua presença no palco é emocionante, plena. Renato rejuvenesce quando está atuando!
O que nos mantém vivos? é muito crítico, mas como já foi dito, é também uma celebração da existência de Borghi, além de uma celebração do Teatro Promíscuo e da arte como propulsora de encantamento e reflexão.
Os atores pisam num picadeiro de circo que faz alusão ao Rei da Vela e bonecos especialmente confeccionados para esse trabalho dão um tom lúdico e ao mesmo tempo dá a ideia de multidão, de união por dias melhores apesar das dificuldades. Eles ocupam o espaço de circulação dos atores. Uma carroça também está presente e celebra o teatro popular e mambembe, além de um camarim iluminado que é usado por Borghi.
São mais de 3 horas de espetáculo, mas ele é dinâmico e com o grande talento dos atores e a execução da trilha ao vivo, o tempo passa rápido. O teatro e a sua magia.
Os 65 anos de carreira de Borghi também serão comemorados com uma palestra-espetáculo “Borghi em Revista”, versão encenada pelo Renato ao lado de seu filho Ariel Borghi, sob direção de Elcio Nogueira Seixas. Também seremos agraciados com novas temporadas de “Molière” e “Romeu e Julieta 80”, além das próximas montagens do Teatro Promíscuo: “A Alegria é a Prova dos Nove”, com textos de Oswald de Andrade e “Minha Estrela Dalva”, musical inspirado na grande musa de Borghi – Dalva de Oliveira.

Renato Borghi queria ser cantor. Seria um cantor muito bacana, mas é como ator que ele nos encanta, e como ator ele pode cantar também.
Ver Renato interpretando e cantando é um presente.
Entre tantas músicas, Ave Maria do Morro é uma música imortalizada na voz da Dalva de Oliveira, grande paixão de Renato. E ele cantou na estreia, dia 29.
Para quem não sabe, Renato assina o texto do musical A Estrela Dalva, homenagem à cantora Dalva de Oliveira, protagonizado por Marília Pêra em 1987.
E ver o musical Minha Estrela Dalva nos palcos com certeza será mais uma realização marcante de Borghi.

@renatoborghioficial é a história viva do teatro. Renato honra a nossa arte. O teatro o mantém vivo e ele mantém o teatro pulsante.
Ator estupendo. Exemplo de vitalidade e dedicação ao ofício iluminado que exerce.
Ver Renato atuando é aula de teatro e certeza que vale a pena viver intensamente.
86 anos de idade, 65 anos de profissão.
Que benção! Não para!


Ficha Técnica
Idealização e adaptação: Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas
Dramaturgia: Elcio Nogueira Seixas
Direção: Rogério Tarifa
Elenco: Renato Borghi, Débora Duboc e Elcio Nogueira Seixas, Cristiano Meirelles e Nath Calan
Musicista Substituto: Herí Brandino
Direção de Atores: Rogério Tarifa e Luiz André Cherubini
Direção Musical: William Guedes
Composição Musical Original: Jonathan Silva
Colaboração dramatúrgica: Cristiano Meirelles, Débora Duboc, Diego Fortes, Georgette Fadel, Luiz André Cherubini, Nath Calan e Rogério Tarifa
Figurinos: Juliana Bertolini
Cenografia: Andreas Guimarães, Luiz André Cherubini e Rogério Tarifa
Iluminação: Marisa Bentivegna
Teatro de Bonecos e Objetos: Luiz André Cherubini
Direção de movimento e Preparação Corporal: Marilda Alface
Visagismo: Tiça Camargo
Camareira: Graça
Assistência e Operação de Luz: Rodrigo Damas
Operação de Som: Dugg Mont
Microfonista: Felipe Grillo
Contrarregragem: Andreas Guimarães, Diego Dac, Roberto Tomasim
Cinema ao Vivo: Çiça Lucchesi – vídeo arte, Igor Marotti – cinegrafia
Cenotécnica: Andreas Guimarães, Roberto Tomasim e Cássio Omae
Estagiária em cenário e figurino: Poeta Martinez
Assistente de Figurinos: Vi Silva
Confecção de Figurinos: Juliana Bertolini, Vi Silva, Francisca Lima (costura), Aldenice Lima (tricôs) e Laura Bobik (intervenções gráficas)
Confecção dos bonecos: Mandy e Agnaldo Souza
Confecção de Flores: Coletivo Flores Pela Democracia
Eletricista: Marcelo Amaral
Assessoria de Imprensa: Adriana Monteiro – Ofício das Letras
Marketing Digital: Platea Comunicação e Arte
Criação de conteúdo e mídias sociais: Fernanda Fernandes e Lukas Cordeiro
Fotografia: Bob Sousa e Priscila Prade
Estagiária em produção: Rommani Carvalho
Produtora Colaboradora: Camila Bevilacqua
Produção Executiva: Carolina Henriques
Direção de Produção: Jessica Rodrigues
Coordenação Geral: Teatro Promíscuo / Renato Borghi Produções Artísticas LTDA.


Teatro | O que nos mantém vivos?
Quando: 29 de setembro a 29 de outubro
Horários: sexta e sábado, às 20h. Domingo, às 19h
Duração: 200 minutos [com 15 minutos de intervalo]
Classificação indicativa: 16 anos
Capacidade de público por sessão: 350 lugares
Local: Teatro Oficina
Endereço: Rua Jaceguai, 520 – Bela Vista, São Paulo – SP, 01315-010
Ingressos pelo Sympla
https://bileto.sympla.com.br
Precos: R$80,00 e R$ 40,00
Clique nas imagens para ampliar:

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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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