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Teatro Infantil - Matérias

ENTREVISTA - Mel Lisboa e Carol Badra encenam espetáculo infantil baseado em obra de Clarice Lispector
Publicado em 13/07/2017, 02:00
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Pescadora de Ilusão é baseado no livro A Mulher Que Matou Os Peixes

As atrizes MEL LISBOA e CAROL BADRA são grandes amigas que sonharam juntas com uma montagem baseada na obra infantil de Clarice Lispector e estão dando um show de interpretação nesse trabalho. Direção Gpeteanh.

Em Pescadora de Ilusão, elas colocam em evidência a importância do perdão, como se relacionar com as perdas, separações e com a morte.

Em cena, Mel e Carol vivem as amigas Eu e Tu, que amam teatro e decidem fazer uma peça em defesa da escritora Clarice Lispector, que escreveu um livro para pedir desculpas por ter matado peixinhos de um aquário.

Elas querem mostrar que a escritora esqueceu-se de alimentar os peixinhos vermelhos de seus filhos, mas que ama muito os bichos.
Para enfatizar esse amor pelos animais e contar histórias dos bichos de estimação que ela teve, são usados objetos e adereços animados. A dupla de atrizes também canta, sapateia e toca alguns instrumentos.

Mel e Carol são artistas de experiência no teatro.

MEL ficou muito conhecida por sua personagem Anita, da minissérie Presença de Anita, da Rede Globo, e foi exatamente esse trabalho que a impulsionou a continuar com a carreira de atriz, já que na época ela estava cursando faculdade de cinema.

Entre os seus trabalhos no teatro, fez espetáculos amadores, com a Cia Atores de Laura. Já como profissional fez Confissões de Adolescente, direção de Domingos de Oliveira; Há Vaga Para Moças de Fino Trato, direção Suzana Krugher; Brutal, com direção de Paulo Hamilton; Luluzinhas, com direção de Cesar Fronzi Ladeira; Mordendo Os Lábios, direção de Hamilton Vaz Pereira; Cyrano, Mulheres Alteradas e Superadas, direção de Eduardo Figueiredo; Cine Camaleão e Luz Negra - A Boca do Lixo, direção de Paulo Faria (Cia. Pessoal do Faroeste); Rita Lee Mora ao Lado, e Otelo, direção Débora Dubois; Peer Gynt, direção de Gabriel Villela e Roque Santeiro - O Musical, também com direção de Débora Dubois. Em Agosto - dia 11, no Tucarena, estreia Boca de Ouro, mais um trabalho com Gabriel Villela.

CAROL é formada em Artes Cênicas pela UNICAMP (1995). Além de atriz, também começou a atuar como figurinista em 2003, como assistente de Márcio Medina, e no mesmo ano recebeu o Prêmio Shell pelo figurino de A Mulher do Trem, em parceria com Leopoldo Pacheco (parceria em quase todos os espetáculos Dos Fofos). Integrante da Cia. Os Fofos Encenam desde sua fundação, atuou em Deus Sabia de tudo…, A Mulher do Trem, Assombrações do Recife Velho, Ferro em Brasa, Terra de Santo e Dar corda Pra se Enforcar. Outros destaques: O Duelo e Na Selva das Cidades, com a Mundana Companhia, direção de Cibele Forjaz; com a Cia. La Mínima, atuou no espetáculo O Médico e os Monstros. Na área de musicais, fez o infantil Canção Dos Direitos Da Criança, com texto e direção de Carla Candiotto, e A Vida Íntima De Laura, direção de Gpeteanh, entre outros trabalhos.


ENTREVISTA

NANDA ROVERE - Falem um pouco sobre a ideia de levar para o palco a obra da Clarice para as crianças
MEL - Fazia um tempo que eu e Carol tínhamos a vontade de montar um texto da Clarice Lispector. Eu pensei num outro texto, O Quase de Verdade, porque quando eu entrei em contato com as obras da Clarice percebi que ela daria lindas peças. A Carol já tinha feito A Vida Intima De Laura, também com o Ge (Gpeteanh) e ficamos com a ideia de um dia montar o Quase de Verdade. Mas nós não tínhamos ainda nenhuma adaptação e essa ideia acabou não seguindo em frente. Um dia, a Carol comentou comigo que o Gê tinha uma adaptação da Mulher Que Matou Os Peixes e nós resolvemos ler. Inicialmente, o texto era para três pessoas e ela foi adaptada para duas atrizes. Ainda era somente uma ideia e depois surgiu o convite para a gente fazer o Circuito Cultural, e foi com o dinheiro da venda dos espetáculos para esse circuito que conseguimos levantar a peça.

NR - Então antes de São Paulo vocês passaram por diversas cidades...
CAROL - Fizemos o espetáculo em dezoito cidades do interior e foi muito legal porque amadurecemos o espetáculo antes de estreá-lo aqui em São Paulo. Tivemos uma experiência muito bacana de descobrir se a peça ¨batia¨ mesmo nas crianças porque a Clarice impõe um outro ritmo e um tempo reflexivo, profundo e de questionamento, que é muito diferente do mundo infantil atual (extremamente superficial). Por acreditarmos na possibilidade de outros ritmos, confiamos na inteligência infantil e na pureza da criança para compreender o espetáculo. Eu e Mel percebemos isso através dos nossos filhos, que foram o nosso primeiro público.

NR - E a receptividade nessas viagens? Como está a estrutura dos teatros no nosso interior?
CAROL E MEL – As condições dos teatros são as mais diversas. Tem teatro reformado e que abriu quando chegamos, administrado por pessoas apaixonadas pelo teatro. Espirito Santo do Pinhal é um exemplo. A administradora é apaixonada pelo teatro, que é antigo e foi restaurado. Já Pindamonhangaba é muito carente e o teatro de lá é um galpão, em condições muito difíceis. Mas em todos os lugares fomos muito bem tratadas. Às vezes, as condições não eram boas, mas a disposição do pessoal que trabalhava no lugar era muito boa. Isso supera qualquer dificuldade técnica. A receptividade das crianças e da maioria de escolas foi muito boa e os adultos também ficam muito tocados.

NR - Vocês já tinham trabalhado juntas?
MEL - Ainda não. Somos amigas há muitos anos, mesmo antes de sermos mães. Faz tempo que queríamos trabalhar juntas e quase nos encontramos em vários trabalhos. E agora aconteceu esse espetáculo que é o ideal porque somos só nós duas em cena e formamos uma família

NR - E como foi o processo de criação do espetáculo?
MEL E CAROL - Propúnhamos coisas, o Gê outras... Nós que pedimos para o Gê incluir números de canto e de sapateado, por exemplo. Dependíamos muito do trabalho do Marco Lima e ficamos muito tempo lendo o texto porque sabíamos o que queríamos, mas sabíamos também que os baús e as roupas é que nos mostrariam o que deveríamos fazer em cena. Foi um trabalho intuitivo. As nossas personagens têm muito da gente porque são atrizes contando uma história. O maior desafio foi achar um tom para a narrativa e manter esse tom. Enquanto uma fala, por exemplo, a outra tem que estar ligada. Fizemos para isso exercícios para nos ajudar na fluência de contar as histórias. Temos muitas afinidades, mas somos atrizes completamente diferentes.

NR - O espetáculo exige de vocês um excelente preparo físico. Como conseguem esse preparo vocal?
MEL - É a prática. Já tive um sério problema vocal. Eu fiz fonoterapia com a Silvia Pinho, que é uma profissional excelente, e com os anos aprendi a usar a minha voz direito. O canto eu tenho praticado porque em todas as peças faço, tenho que cantar alguma música, seja em coro ou solo.

NR - MEL, quando você pensa no musical sobre a Rita Lee o que te vem na mente?
MEL - Era uma responsabilidade enorme porque eu cantava milhões de músicas. Tenho um carinho enorme por esse espetáculo, uma gratidão imensa e ele me deixou muito feliz. Formamos uma família, tanto que ainda existem três grupos do musical que ainda funcionam no whats app. Morro de saudade!

NR - CAROL, fale um pouco sobre as suas experiências nos musicais?
CAROL - Eu já fiz alguns musicais e o canto para mim sempre foi vital para o meu trabalho de atriz, desde a época da faculdade. Sempre fui atrás de me aperfeiçoar e quando eu vim para São Paulo, tinha medo de entrar em cena, e achava que o canto poderia me dar suporte e me conectar com a cena. O canto me ajudava a soltar mais a voz e a trabalhar a minha energia. Assim que cheguei aqui, fiz Miss Brasil 2000, no Tusp, que era um musical, depois fiz vários infantis que tinham música (Amídalas, A Vida Íntima De Laura, agora participei da Canção Dos Direitos Da Criança, do Patinho Feio ...). Fiz bastante musical...Há uns três anos, quando eu estava no elenco de O Duelo, cheguei a pensar num repertório para show com Pedro, pianista marido da diretora e atriz Johana Albuquerque...Queria um trabalho limpo de qualquer elemento cênico. Nunca estreamos esse show (só cheguei a apresentá-lo num pequeno café), mas foi um trabalho em que eu experimentei cantar e foi ótimo. Tenho um projeto a fazer com Vanderley Bernardino, um musical absurdo chamado Middle Class, para quebrar e estrutura tradicional do gênero.

NR - Como foi o contato de vocês com a obra da Clarice Lispector?
CAROL - A imersão foi por pouco tempo e muito profunda. Ficamos apaixonadas por ela. Agora estou fazendo o figurino para um artista que está montando o texto Macabéa, do Rudinei Borges, dramaturgo que escreveu Epístola Quarenta e que entra no universo da ¨Hora da Estrela¨, da Clarice...os trabalhos vão se interligando...
MEL - Durante o processo de criação do espetáculo, eu li A Paixão Segundo GH. Já tinha lido outros dela, mas esse eu li para entender melhor a sua obra.

NR - CAROL, e a sua experiência como figurinista? E a sua participação no Grupo Os Fofos?
CAROL - Agora eu tive um bom momento. Fiz o figurino de três espetáculos e quando a gente faz figurino é preciso assisti-los muitas vezes... Tive a oportunidade de ver artistas incríveis trabalhando, o Daniel Worren fazendo Ponto De Vista De Um Palhaço, as atrizes de Os imortais, os atores de Carmem. Eu tenho aprendido muito vendo os colegas. Cada trabalho é uma pós-graduação porque são pessoas incríveis. Com relação aos Fofos, uma escola. Minha família e a minha escola. Foi nos Fofos que eu aprendi a fazer figurino e que eu perdi o medo de ir para a cena. Lá que adquiri a compreensão do trabalho do ator e tive a compreensão da importância do todo. Lá eu trabalhava na cozinha, ajudava na criação do figurino, na administração do espaço. Nos Fofos sempre tivemos as rédeas dos nossos trabalhos e isso faz com que transborde em cena a nossa vida, e isso é que é o mais importante na arte. Podemos ser virtuosos no que fazemos, mas se não tiver vida, se não pulsa, o público se afasta do teatro. A gente tem que transbordar a vida para dentro da cena e a cena tem que transbordar para a nossa vida também. O objetivo da ¨Pescadora de Ilusão¨ é o perdão e fazemos a peça para pedir perdão. Isso é o que me comove. A peça nesse momento da minha vida foi muito importante porque no ano passado fiz uma terapia em que eu tive que me perdoar. E foi nessa terapia que eu consegui me livrar de uma dor no corpo. Isso é o transbordar...

NR - E pra você, MEL, o que mais te toca na Clarice?
MEL - Antes mesmo da ¨Pescadora¨, tive contato com outras obras infantis da Clarice. Comprei para ler para as crianças e fiquei muito comovida com a forma como ela escreve. Fiquei com muita vontade de transformar as obras em teatro para as crianças e poder realizar A Pescadora de Ilusão, sem patrocínio, mas com todo o amor da equipe e dos apoiadores, foi um grande prazer e a realização de um sonho.

NR - MEL, quando eu fiz a pesquisa sobre a sua carreira não consegui encontrar informações sobre as suas experiências antes da minissérie Presença de Anita. Você já fazia teatro naquela época? Fale um pouco sobre o seu começo no teatro.
MEL - Eu comecei a fazer teatro aos 8 anos de idade, no Rio de Janeiro, e fiz durante cinco anos um curso do Centro Cultural Laura Alvim, com o pessoal da Cia. Atores de Laura. Essa é a minha formação. Durante um tempo, eu desisti de fazer teatro e fiz muita publicidade. Até aquele momento, eu só tinha feito peça amadora, exceto uma montagem dos atores de Laura, que fiz como atriz convidada, aos 13 anos. Ou seja, a minha história no teatro é antiga, só que, como ela é amadora, é difícil de encontrar informações na Internet. É uma trajetória que só quem conviveu ou trabalhou comigo sabe, e eu fiz trabalho com muita gente que hoje é conhecida, como a Maria Ribeiro, a Leandra Leal... Quando fiz Presença de Anita, quando fui chamada para o teste, estava fazendo faculdade de cinema e já estava começando a pensar em voltar para o teatro. Logo depois da Anita, senti a necessidade de voltar para o palco porque foi uma avalanche e mudou muito a minha vida. Naquela época, eu tinha muito medo da rejeição, mas hoje em dia eu sei lidar com isso, sei que ela faz parte da carreira também.

NR - MEL, em agosto você estreia mais um trabalho com direção de Gabriel Villela, Boca de Ouro. O que você já pode adiantar sobre a sua personagem?
MEL – O trabalho está muito bacana. Faço a Celeste, que é muito interessante porque ela é descrita pela D. Guigui, e, dependendo dos sentimentos dessa personagem, a Celeste se transforma. Num primeiro momento, quando a Guigui quer “espinafrar¨ o Boca, a Celeste é mostrada como vítima. Já em outros momentos, a Celeste é totalmente diferente. É um presente esse trabalho porque não é preciso ter nenhuma coerência psicológica. Tudo se torna uma brincadeira, onde é possível experimentar.

NR - No que vocês estão (De olho na cena):
CAROL – estou sempre pensando em como surpreender a Mel em cena porque o jogo nunca está ganho... É um enorme prazer estar com a Mel e estar fazendo um texto da Clarice
MEL - Dependemos muito uma da outra... Se uma não dá um ¨pedal¨ para a outra, não dá certo. Temos que estar muito atentas com possíveis erros e com o público.

Serviço:
Até 30 de julho de 2017
Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno.
144 lugares
Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista.
Quando: Sábados e domingos, às 16h.
Quanto: R$ 30
Duração: 60 minutos
Indicação: Livre

Ficha Técnica:
Elenco: Carol Badra e Mel Lisboa.
Dramaturgia e direção: GpeteanH.
Diretor Assistente: Arnaldo D’Ávila.
Diretor de Arte: Marco Lima.
Diretor Musical: Pedro Paulo Bogossian.
Coreografia: Chris Matallo.
Iluminação: Alessandra Domingues.
Direção Técnica: Yuri Fabiano.
Confecção de bonecos e adereços: Zé Valdir Albuquerque
Costureira: Zezé de Castro
Fotos: Deborah Schcolnic.
Direção de Produção: Cristiani Zonzini.
Direção Geral: GpeteanH.



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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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