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ENTREVISTA - CLEO FAGUNDES E LUANA GODIN falam sobre os dez anos da narrativa musical Sobre Lendas e Mulheres
Publicado em 08/05/2022, 19:30
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SOBRE LENDAS E MULHERES
Uma bela narrativa musical livremente inspirada no livro “Mulheres que correm com os Lobos ” de Clarissa Pínkola Éztes.
O espetáculo traz questões importantes e pertinentes sobre o universo feminino.
Direção: Lourdes Araújo.
Elenco: Cléo Cavalcantty, Luana Godin.


CLÉO CAVALCANTTY
Atriz, produtora, contadora de histórias, compositora (letrista), escritora.
Fundadora da Cia Girolê e do projeto Sobre Lendas e mulheres em Curitiba. Natural de Barbacena/MG, integrou o Grupo Ponto de partida.
Iniciou a sua carreira artística em
1998. Desde então, desenvolve montagens de
Contação de Histórias, mediações de leitura e peças
teatrais, a partir de dramaturgia própria ou
adaptações da literatura e da poesia, utilizando
elementos das artes cênicas, visuais e musicais.
https://elencodigital.com.br/CleoCavalcantty#secaoCurriculoCompleto.
Com Luana apresentou Sobre Lendas e Mulheres de forma on-line.

LUANA GODIN
Cantora, compositora, musicista, atriz, videomaker e empreendedora. Formou-se em Educação Artística em Artes Cênicas pela FAP e especialização em Literatura Dramática e Teatro pela UTFPR. Profissionalizou-se cantora aos 16 anos.
Em 2016, lançou sOLa, seu primeiro álbum como cantora e compositora solo. Em 2019, lançou o EP DANÇAAÊ com cinco faixas.
Durante a pandemia não parou de realizar projetos, em especial apresentações em linguagens do audiovisual.
https://www.luanagodin.com/sobre-luana


A DESCOBERTA DA ARTE
Luana sempre teve contato com a música. Vive numa família musical e brincava de fazer teatro na infância. O teatro e a música sempre fizeram parte da sua vida. O teatro para crianças é muito forte na sua trajetória.
Cleo descobriu o teatro ao ver uma apresentação de Vaquinha Lelé em Barbacena, aos 7 anos. Ao não cumprir um pedido da sua mãe, angustiada, após apanhar e ser obrigada a ir para a escola, começou a ver uma apresentação muito colorida sobre uma vaquinha que queria voar.... Na época nem sabia que era teatro, mas sabia que queria fazer aquilo que a deixara abismada e terminara com a sua tristeza.

SOBRE LENDAS E MULHERES por Nanda Rovere
A mulher e sua luta pelo respeito. A mulher sujeita a absurdos, violência física ou mental. O machismo que machuca e ofende. A inferiorização no campo de trabalho. O preconceito. As falas cheias de valores repugnantes maquiadas de conselhos bondosos. Histórias de vida, fatos de desrespeito e violência. A fala de duas atrizes porretas. A arte que nos salva e que aprimora o senso crítico.
"O homem da minha vida é Dionysio". "Somos atrizes, porra!"
Falas que retratam situações de mulheres que só querem uma coisa na vida: a felicidade.
O absurdo da valorização da beleza na arte e na vida, o padrão...que padrão? O que importa é ser independente, amar, ter prazer, ser respeitada e amada.
Canto, poesia, conversa e reflexão. Roupas vermelhas, força e amor.
Dez anos de espetáculo que traz as mazelas e as belezas de ser mulher, realidade e ficção, a vida das atrizes e de tantas mulheres pelo mundo.
Tempos sombrios. O poder nas mãos de um governante que abertamente ofende as mulheres.
Ainda é preciso gritar, ainda é preciso clamar por respeito.
Um trabalho que comemora dez anos de existência, Cléo Cavalcantty, Luana Godin.
O texto surgiu a partir da obra “Mulheres que Correm com os Lobos” de Clarissa Pínkola Eztes.
No início, o espetáculo acontecia em Barbacena/MG, liderado por Cleo e Gisele Mello.
Quando Cleo foi para Curitiba, Luana começou a integrar a equipe do espetáculo.
O universo feminino é abordado de maneira crítica e poética, os sonhos desejos e a situação de vulnerabilidade que muitas mulheres enfrentam.
Além do espetáculo, as artistas realizam oficinas e encontros diversos que colocam em evidência questões pertinentes à mulher na sociedade, no mundo contemporâneo. A força, os sonhos, os sabores, os dissabores, a luta, a alma, o grito por respeito e liberdade.

SOBRE LENDAS E MULHERES
Por Cleo e Luana
O espetáculo foi criado de modo despretensioso. Cleo abriu um estúdio de artes visuais com Gisele na sua terra natal, Barbacena/MG. Cleo ministrava workshop de sensualidade e uma delegada foi fazer o curso e pediu para que aulas fossem ministradas num centro de mulheres em situação de vulnerabilidade.
Para esse trabalho resolveram usar a contação de histórias e utilizaram o livro Mulheres que correm com os Lobos. Nascia assim um projeto que hoje completa dez anos.
¨A apresentação foi tocante para as mulheres. Assuntos simples e tabus para o universo feminino foram tratados. Surgiram rodas de conversas e o projeto chegou a outros grupos¨, diz Cleo.
Assim que Cleo voltou para Curitiba, em 2015, onde já tinha vivido por algum tempo, teve convite para apresentações em Maringá e levou Sobre Lendas e Mulheres para a cidade do interior paranaense.
Giselle já não fazia mais parte do projeto e o convite para Luana foi o início de uma parceria que dura até hoje nesse espetáculo.

COMO LUANA E CLEO SE CONHECERAM
Luana, formada pela FAP, e Cleo fizeram um curso juntas e começaram um contato amistoso para que surgissem parcerias.
Juntaram retalhos, chá e bolo, muito talento e vontade de produzir.
Em 2006 criaram a Cia. Girolê, que ainda brilha nos palcos curitibanos, mas Luana saiu para novos voos. A parceria se manteve na arte. Cleo passou um tempo em Minas e em 2015 voltou para Curitiba. Nessa época, surgiu a oportunidade de apresentação em Maringá e Luana começou a tecer as histórias de Sobre Lendas e Mulheres com a amiga e parceira da arte.

A PRECIOSIDADE DE SOBRE LENDAS E MULHERES
Para as atrizes, o maior trunfo de levar o livro para a cena está na representatividade da língua latina que ganha força através da música e fala de assuntos urgentes do universo feminino (a força de mulheres que compunham e cantavam na língua latina está presente na trilha desse espetáculo tão potente).
A canção La Loba é o início de tudo, num momento lindo do espetáculo, com os sapatos vermelhos, o vermelho como cor preponderante, a fala, o canto e o universo feminino como foco.
Cleo leu o livro aos 17 anos porque ouviu que mulheres tinham que ler, e usá-lo como guia para o texto que compõe o espetáculo foi uma excelente escolha.
Sobre Lendas e Mulheres nas palavras de Luana Godin: ¨Poder de chegar ao inconsciente coletivo com histórias do mundo todo. Colocar em evidência os ARQUETIPICOS PRESENTES NAS MULHERES E NOS HOMEMS do mundo todo, segundo Luana é encantador. ¨Sobre Lendas e Mulheres tem o poder de evidenciar a saga da mulher selvagem, isto é, tirar, através da arte, camadas culturais que nos atormentam e buscar a ancestralidade através das dores e também da leveza¨, destaca. É o poder de mutação da mulher, a mulher esqueleto presente no livro e que tem como guia a busca do amor: a mulher que descobre novos horizontes, sai do núcleo e pesca o amor.

CLEO E LUANA SÃO DUAS SACERDOTISAS DA ARTE QUE FALAM COM MAESTRIA DO UNIVERSO FEMININO
As artistas falam de suas vidas e de todas as mulheres que merecem respeito e lutam pela felicidade, apesar de tudo. Segundo as artistas, o conto de Clarissa ¨atiça a memória afetiva no campo do fazer feminino e por isso a escolha dos contos (falar de mulheres através da sua sacralidade de tecer e parir).
É o amor que as ajuda a encenar os casos e mudar o rumo da vida para melhor.
Elas falam do relacionamento entre homem e mulher, mas que pode ser também a trama que envolve qualquer tipo de casal, eis a universalidade da obra, que atinge todos os tipos de público, não somente as mulheres.

A ESCOLHA DAS HISTÓRIAS ALÉM DO LIVRO...
As
pessoas que assistem à peça chegam para contar as suas histórias, encantadas e identificadas com tudo o que acabaram de ver e ouvir.
Num primeiro momento, ainda não havia nada de textos reais, só textos elaborados para a peça.
Através de conversas após as apresentações histórias novas foram surgindo.
As atrizes perceberam que essas rodas de discussão não davam conta de tantas reflexões e aí surgiu a ideia da oficina Mergulho aos Arquétipos Femininos. Uma oficina com narrativas de literatura, teatro, dança.
Histórias reais começaram a surgir a partir da necessidade das espectadoras de compartilharem com as atrizes as suas alegrias e mazelas, e sobretudo superações.
Aos poucos as atrizes abriram espaço para que as histórias de muitas mulheres ganhassem voz no palco.
¨Toda violência que sofremos ganharam espaço no espetáculo”, conta Cléo, que sinaliza que numa viagem com o espetáculo para Portugal teve uma catarse e percebeu que precisava descobrir a sua identidade, uma ancestralidade ainda muito marcada por sequelas da escravidão dos seus antepassados, a saída de um relacionamento abusivo e uma infância com um trauma: o seu pai, alcóolatra, com revólver na mão e por sorte a sua mãe conseguindo se desvencilhar de uma possível tragédia. Por mais que seja difícil para a atriz lembrar desse momento tão tristemente marcante, abrir espaço para compartilhar um pouco da sua trajetória com o público é um momento especial do espetáculo.
Também é muito especial quando Luana Godin fala sobre os seus abortos (espontâneos) e o quanto a sociedade é preconceituosa e julga o próximo de maneira mesquinha. Momentos de dor e ainda há gente que coloca a culpa na mulher! Retrato de uma sociedade que ainda não aprendeu a olhar o outro com compaixão e respeito.
Para Luana, os fatos expostos na peça não são superados, mas viram cicatrizes que são carregadas por toda a vida. Cicatrizes que diminuem, mas estão para sempre na alma. Histórias que emocionam o espectador e nos fazem pensar sobre a importância do amor e do respeito.
Um trabalho intenso, emocionante e sempre em sintonia com tudo o que acontece no Brasil e no mundo. Um trabalho que provoca reflexões e nos faz repensar pensamentos, opiniões, rever preconceitos. Hoje Cleo tem consciência do quanto sofreu preconceitos sem perceber, sobretudo em Minas Gerais. Em Minas, o preconceito foi por causa da negritude e em Curitiba pelo ofício de ser atriz.
Cleo abre o seu espaço através do teatro, colocando a sua energia num projeto independente, cavando espaços, e sempre atingindo um excelente público, é uma dádiva porque através do teatro o olhar sobre a vida fica mais interessante.
No espetáculo tem histórias fixas e ele está sempre em movimento, de acordo com situações da sociedade, o que nos colocam em contato com uma obra pulsante.
A cada momento as atrizes têm um conto que mais encantam, mudam as suas visões sobre os fatos expostos de acordo com o passar do tempo e a cada apresentação se abrem para colocar em cena os contos com a maior dedicação possível.

DUAS ATRIZES QUE VIVEM da arte
Para Cleo, a maior alegria de fazer Sobre Lendas e Mulheres é falar do universo feminino, com um teor político e com fontes inesgotáveis de pesquisas.
¨Quando eu penso na minha trajetória enquanto mulher negra, que foi se descobrir mulher negra a partir de um relacionamento abusivo, pobre, periférica, e penso que estou há quinze anos sobrevivendo de teatro e produzindo, tenho consciência que fui muitas vezes cerceada, mas que cheguei onde consegui chegar, colocando em cena toda a minha energia em Sobre Lendas e Mulheres¨.
Cleo está sempre estudando, pesquisando... No momento, o Grupo Girolê está passando por uma fase de reflexões e já já vêm aí novos projetos.
Quando conversamos, Cleo tinha acabado de fazer uma aula de voz com Babaya, preparadora vocal de grande competência, grande parceira de Gabriel Villela desde 1992.
Foi através da sua participação no Grupo do Ponto de Partida que aprendeu a produzir e a compreender o seu valor enquanto artista, já que no Ponto de Partida não existe o melhor, cada um tem o seu valor. Isso também acontece em Sobre Lendas e Mulheres.
No caso de Luana, além de atriz, atua na área musical como compositora, cantora e produtora independente.

A ARTE ALÉM DO SOBRE LENDAS E MULHERES - Luana integrou o elenco de Hoje [é dia de rock, direção Gabriel Villela
Claro que não poderia deixar de falar com Luana sobre a sua participação em Hoje é Dia de Rock, de José Vicente, uma produção do Centro Cultural Teatro Guaíra, de 2017.
Direção de Gabriel Villela
Luana credita que o seu trabalho vocal como cantora foi essencial para ela ter passado no teste para integrar o elenco. Como cantora de coral aprendeu a timbrar as vozes, isto é, aprendeu a se adaptar a diversos timbres e se adaptou ao timbre de Rosana Stavis, a protagonista, de uma maneira incrível. A presença das duas atrizes foi linda.
Um espetáculo onde todos os atores brilharam, cada um no seu momento.

A ARTE PARA LUANA E CLEO
Luana = arte é vitalidade. A arte é um alimento de vitalidade.
Cleo – arte como vitalidade e feita com muito carinho.
Duas atrizes que vivem em Curitiba, realizam os seus trabalhos, estão sempre ligadas aos editais, com contatos com o mundo corporativo e com a valorização do lado social, com projetos dentro de escolas e periferias. Sempre buscando frentes de trabalhos, criando produtos promocionais, realizando as produções de modo independente.

Dez anos de SOBRE LENDAS E MULHERES no Festival de Curitiba de 2022
Apresentar na praça para as atrizes foi marcante.
Não é uma peça para a rua, mas a experiência foi incrível, ainda mais que o espetáculo foi apresentado num palco construído pela produção do Festival, num local que tem arquibancadas.
No Festival de Curitiba de 2022 a apresentação foi nas Ruínas de São Francisco (choveu na apresentação de sábado, 2 de abril).
Foi a primeira apresentação presencial com o espetáculo completo, já que antes foi realizada uma apresentação no formato pocket para a OAB de Paranaguá.
Para as atrizes comemorar a volta ao teatro presencial no Festival de Curitiba foi um momento muito especial.
¨Ver as pessoas com capa de chuva foi arrebatador¨
Respeito pelo trabalho e valorização de um espetáculo com dez anos de estrada.
Clique nas imagens para ampliar:



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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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