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Relatos e Experiências, projeto de extensão da Escola de Teatro da UFBA. A Cadeia Produtiva do Espetáculo Teatral Contada e Cantada Por Quem o Faz recebeu CYNTHIA MARGARETH e PEDRO DE FREITAS!
Publicado em 19/11/2020, 17:00
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Relatos e Experiências, projeto de extensão da Escola de Teatro da UFBA. A Cadeia Produtiva do Espetáculo Teatral Contada e Cantada Por Quem o Faz

A Entrevista foi conduzida por e TITA VIRGÍLIO, natalense, graduada em Teatro pela Universidade do Estado do Amazonas, produtora e doutoranda em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia -UFBA.


O décimo-primeiro encontro teve como tema a produção teatral, a gestão de espetáculos teatrais entendida como uma atividade fundamental para garantir a qualidade do trabalho de todos os profissionais responsáveis pela criação artística.
DEOLINDA DE VILHENA informou que a produção foi a responsável por levá-la à Universidade e o seu maior orgulho é já ter formado mestres em produção, entre eles, Pedro de Freitas.
Encontrou na UFBA um lugar propício para o pensamento de produção no teatro, produção enquanto gestação de um espetáculo, vale dizer.
Fez mestrado e doutorado (tem pós doc) com o objetivo de ministrar aula na USP e lá criou a disciplina de produção teatral.
O seminário foi concebido como um espaço para debater a produção teatral e tem o mérito de contar com a presença de alunos e ex-alunos da Profª. Deolinda na plateia, no rol de entrevistados e na equipe de entrevistadores.

Para falar sobre produção:
PEDRO DE FREITAS
Responsável pela concepção técnica do Seminário e orientou em relação à plataforma que possibilita os encontros: o Zoom!
Idealizador do FarOFFa, mostra paralela de artes, que teve sua segunda edição de forma virtual, com espetáculos e palestras.
Produziu O Que Mantém Um Homem Vivo?, da Cia Promíscuo, com Renato Borghi, Elcio Nogueira Seixas e Georgette Fadel.
Siga Pedro de Freitas e Périplo Produções nas redes:
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CYNTHIA MARGARETH
Atua com foco na produção como eixo criativo, que impulsiona ações colaborativas, criação de redes, formação e coordenação de equipes de trabalho.
Além de produtora, é atriz e esteve no solo “4, 5, 4, 3... Um passo por vez”, espetáculo-marco de sua volta aos palcos e do encerramento de um ciclo: 14 anos de coordenação da produção do LUME Teatro e do Feverestival - Festival Internacional de Teatro de Campinas.
Em seu solo, Cynthia desmonta sua trajetória, passando por sua experiência como mulher, mãe e, em destaque, seu lado profissional, onde revela como o seu percurso a fez compreender o ofício da produção cultural.
Siga Cynthia Margareth e Aflorar Cultura nas redes:
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DEOLINDA DE VILHENA perguntou se a produção foi uma escolha ou foi a vida que os levou para essa área.
CYNTHIA sempre teve afinidade com produção. Disse que o teatro entrou na sua vida aos 9 anos de idade. Residia em Limeira e na cidade participou de grupos amadores de teatro.
Sem perceber a vocação para a produção, já era a responsável por buscar a estrutura necessária para a manutenção dos grupos, especialmente nas viagens. Era ela quem ia atrás da descoberta dos festivais porque sempre quis se conectar com tudo o que existia na área do teatro.
Cursou a Faculdade de Artes Cênicas em Londrina e, por sua vocação para a área de produção, as pessoas começaram a perceber a sua competência. Foi convidada para ser produtora do Lume em Campinas, ao lado de Pedro de Freitas.
Sente-se realizada como produtora, pois essa função a faz sentir potente. A sua paixão por buscar festivais contribuiu muito para que o Lume tivesse uma agenda recheada de viagens pelo Brasil e exterior.
PEDRO DE FREITAS, por sua vez, assim como Cynthia, apaixonou-se pelo teatro ainda criança. Na sua escola havia aula de teatro a partir da quinta série e ele não via a hora de estar apto a participar do grupo. A sua primeira função no teatro foi como contrarregra.
Cursou Artes Cênicas na Unicamp e o que lhe deu segurança foi o encontro com pessoas que o ajudaram a se sentir seguro no teatro.
Assim como a amiga Cynthia, vê a produção como potência e tem muita energia para trabalhar e realizar projetos. E, também como a amiga, era ele quem sempre realizava as funções de um produtor durante a sua graduação.
Não foi à toa que Freitas e Cynthia foram produtores do Lume, e atualmente, mesmo com produtoras independentes, continuam amigos e parceiros profissionais. Dois excelentes profissionais.
Além da Faculdade de Artes Cênicas na Unicamp, Pedro de Freitas disse que a sua formação no teatro ocorreu como espectador. Citou o Mambembe, com direção de Gabriel Villela, como uma montagem muito marcante na sua vida. Lembra que enfrentava as filas do Sesi e conferiu a montagem umas 20 vezes! Nas palavras de Freitas: ¨O espetáculo mais lindo da minha vida! ”
Estar no mesmo lugar de entrevistado, como esteve Villela (na abertura do evento) é uma honra para o produtor.
Fez questão de elogiar Deolinda de Vilhena. Foi aluno da professora na UFBA e ficou encantado com as suas aulas, especialmente as que versavam sobre o Theatre du Soleil. Foi através de Deolinda que decidiu estudar na França. ¨Deolinda conduz a minha mão com muita ternura¨, elogiou.
E Deolinda também o elogiou, contando que, recém-chegada à UFBA, recebeu desse seu aluno tão especial uma maçã no dia dos professores. O único presente que recebeu na época. Um momento que tem um espaço especial na sua memória afetiva.
Freitas terminou a sua fala dando uma sugestão de leitura – essencial para quem deseja se dedicar à produção: O Avesso da Cena - Notas Sobre Produção e Gestão Cultural de Romulo Avelar.

TITA VIRGÍLIO perguntou como é realizar os projetos nas suas respectivas empresas de produção
PEDRO DE FREITAS disse que com o Lume aprendeu a produzir. Tem muito carinho pelo grupo, mas chegou uma hora em que teve a necessidade de respirar novos ares.
No Lume conheceu Tadashi Endo e aprendeu inglês por causas das viagens e contatos. Com Deolinda aprendeu francês.
O que o move é a vontade de comunicação com o mundo e, por esse motivo, criou a Périplo Produções com o objetivo de dedicar-se a projetos estrangeiros.
CYNTHIA declarou que o seu modo de produzir é através do afeto, da escuta e do respeito, e tudo isso ela aprendeu com o Lume.
Percebeu a carência das cidades em que o Lume se apresentava e elaboraram cursos de produção que eram ministrados durante as passagens pelas localidades.
Quando resolveu criar a Aflorar, a ideia principal foi de formar equipes para dar suportes sobre a teoria e prática das produções, oferecendo assim ferramentas para outros artistas produzirem.
A Aflorar tem como meta realizar vivências na área de teatro e fortalecer os modos de produção.

DEOLINDA os questionou sobre como estão agindo na pandemia para que, mesmo com as adversidades, e cancelamentos, atividades sejam mantidas.
FREITAS teve vários projetos internacionais cancelados e teve que rever com atenção conceitos de produção.
Com o desmonte da cultura, já estava tendo que repensar projetos com artistas de outros países devido à dificuldade de viabilizar as suas vindas ao Brasil. Com a pandemia, esse problema agravou-se.
Deseja continuar o trabalho com artistas estrangeiros, mas quer também exportar o nosso teatro.
O Projeto Faroffa, que conta com a parceria do grupo Rastreado, nasceu com essa premissa. Nesse evento, que aconteceu paralelamente à Mostra Internacional de Teatro de São Paulo ( e depois teve uma versão on-line), colocou na programação espetáculos para que programadores nacionais, e especialmente internacionais, vissem as apresentações e assim poderia nascer a possibilidade de convites para viagens.
CYNTHIA declarou que tem um temperamento que nunca se deixa abalar. E sempre procurou lidar com a situação de uma maneira positiva: pensando em projetos!
Estava prestes a viajar com o projeto Dramaturgias do Sesc pelo Brasil, para falar sobre Produção Cultural e teve que parar com tudo (no momento o evento está ocorrendo on-line).
A maior lição que obteve com a pandemia foi perceber que estava certíssima ao defender que o artista precisa fortalecer os seus modos de produção e a parceria é essencial.
Apesar do momento difícil, já nos primeiros dias em que os cancelamentos foram inevitáveis, idealizou o Papos de Produção on-line, uma rede pulsante de conversas e atualização sobre a área de produção. Também ficou atenta à lei Aldir Blanc e à sua aplicação.
Idealizou, com Érika Cunha, do Grupo Matula Teatro e com o artista independente Ademir Apparício, a Mostra virtual ‘Solo, mas não só’, que contou com espetáculos solos, sarau, curso e debate. Foi nessa mostra que a atriz apresentou o seu monólogo 4, 5, 4, 3… Um Passo por Vez (orientação e roteiro das atrizes Ana Cristina Colla e Raquel Scotti Hirson, do Lume Teatro).

DEOLINDA os questionou sobre a preocupação com o público.
Usou como exemplo o Théâtre du Soleil, o qual tem como objetivo tornar as suas obras artísticas acessíveis a todos na França, diferente do Brasil, país onde esse compromisso não é aplicado como deveria ser.
E deixou a seguinte questão: como os entrevistados encaram o público e para quem eles produzem.
CYNTHIA Afirmou que sempre buscou o encontro com o público na sua trajetória e sempre desejou que todos conhecessem o valor do teatro.
Na sua visão, o poder público e as instituições em geral têm que promover a formação de público, mas é necessário otimizar uma verba para que a arte se aproxime do público.
Defendeu que no caso de um grupo de teatro, de acordo com a sua experiência com o Lume, é preciso que os artistas estejam sempre em comunicação com o seu público para que o seu trabalho seja valorizado e prestigiado.
Afirmou que o produtor tem que saber como falar das suas propostas e saber com quem está falando (para que o projeto seja bem recebido).
Durante as viagens do Lume, Cynthia entrou em contato com muitas pessoas que nunca tinham visto teatro e o que elas pediam é para que o teatro nunca as abandonasse.
Neste sentido, é necessário entender as necessidades do público de um determinado lugar e pensar em como fazer com que as pessoas saibam que determinado espetáculo terá sessões na sua cidade.
PEDRO salientou que é preciso que as pessoas conheçam o que é o teatro para começar a frequentá-lo e também acredita que o contato com o público para conhecer as suas necessidades também é necessário.
O teatro tem que ser encarado, sim, como um mercado e com a presença de todos os gêneros teatrais, pois somente dessa maneira é que o público poderá adquirir o hábito de frequentar as salas de espetáculos, escolhendo a peça que mais lhe desperte interesse.

TITA VIRGÍLIO solicitou que os entrevistados abordassem a importância da produção teatral constar na grade curricular da universidade.
CYNTHIA acredita que desde 2000, quando fez a sua graduação, houve um ganho com o crescimento da produção como matéria importante para estudo. Crê que o olhar para a produção está cada vez maior.
Destacou que fazer produção envolve multidisciplinaridade e que nenhuma grade curricular, por melhor que seja, consegue o conhecimento obtido através da prática. O ensino é muito importante e a prática é essencial!
Por incrível que pareça, Cinthia disse, abismada, que formados em produção já a procuraram e disseram que não assistiram espetáculos durante a graduação!
Ir a espetáculos, obviamente, é essencial para que um produtor tenha uma formação de qualidade.
Para PEDRO DE FREITAS, produção é artesania. Só se aprende no teatro e observando pessoas mais velhas, e por isso, sempre admirou e procurou estar perto de pessoas mais velhas e experientes.
Defende que é importante existir a matéria sobre produção na faculdade de artes cênicas para que o artista conheça o mercado (onde pretende levar o seu trabalho).
Deve ser oferecido ao estudante multidisciplinaridade, pois um produtor trabalha com comunicação, excel, rede social e economia. A produção é um lugar de diplomacia de transposição de linguagem (porque é preciso saber falar com o patrocinador de uma maneira que ele entenda o projeto).
Na sua opinião, Seminários como A Cadeia Produtiva do Espetáculo Teatral Contada e Cantada Por Quem o Faz deveriam ocorrer todo semestre.

TITA VIRGÍLIO pediu para Cynthia dizer algumas palavras para quem acredita que o ofício de um produtor não exige criatividade.
Segundo a produtora, a produção é um eixo criativo impulsionador. É uma criação permanente de conexões e possibilidades; é a dramaturgia do encontro e a narrativa do que perdura de uma obra.
A produção promove conexões com o público, com os editais e com os lugares nos quais os projetos são apresentados. É um meio de encontros preciosos e o produtor tem que ser muito criativo para elaborar ações que chamem a atenção das pessoas pela qualidade
Cynthia afirmou que carrega uma bandeira: ¨desmecanizar¨ a atividade do produtor e provar que para a sua realização é preciso muita criatividade.
¨Produzir é sonhar um futuro. É sonhar possibilidades, e para isso é necessário que exista um impulso criativo¨. Cynthia Margareth.

Entre as inúmeras QUESTÕES ELABORADAS PELO PÚBLICO, como revalorizar o ingresso e viabilizar os preços de ingressos mais acessíveis?
Cynthia concorda que os ingressos precisam ser revalorizados. O público precisa ser educado para prestigiar teatro e sensibilizado para entender do quanto é valoroso o pagamento do ingresso.
Acredita que com a pandemia as pessoas estão percebendo que pagar um ingresso é garantir a subsistência de um artista.
Apesar de ser complicada a matemática realizada com a bilheteria, ações podem deixar o acesso mais acessível para a população.
PEDRO DE FREITAS defende que é preciso colocar para o público que ele é o responsável pela existência do espetáculo e para que ele fique em cartaz é essencial pagar o ingresso.

Para finalizar a conversa, os entrevistados salientaram o quanto é essencial a união para que uma produção tenha sucesso.
É preciso sempre sonhar junto com outras pessoas. Caminhar junto e estar sempre aberto ao aprendizado, sempre aberto a aprender com quem possui mais experiência. Com o Lume aprenderam que compartilhar sonhos e ideias é o que garante o sucesso profissional.
Fizeram questão de deixar os respectivos contatos no Instagram para que todos os interessados possam acompanhar as realizações das suas empresas de produção:
@aflorarcultura da Cynthia Margareth
@ periplo.prod do Pedro de Freitas
Como é apaixonada por produção, tem muita experiência na área e tem orgulho de ter sido mestra de Pedro de Freitas, DEOLINDA saudou o amigo e aluno, a Cynthia Menezes e Julia Carrera, que estava presente como público.
E deixou a seguinte frase:
¨Não pense nunca que você está criando a roda. Pense que muita gente a criou antes de você! (Peça sempre para estar perto de alguém para aprender) ”.

Babaya Morais será a entrevistada, na próxima terça, do Seminário A Cadeia Produtiva do Espetáculo Teatral Contada e Cantada Por Quem o Faz. Idealização Deolinda França de Vilhena.
Ela é parceira preciosa de Gabriel Villela e Claudio Fontana, que participaram lindamente, vale lembrar, do Seminário.
Babaya é natural de Cássia, cidade próxima a Carmo do Rio Claro, terra natal de Villela. A magia de Minas!
Parcerias também com Milton Nascimento, Ponto de Partida, entre muitos outros artistas...cantora, preparadora vocal, diretora musical e amiga encantadora.
Na sua escola de canto, já formou artistas talentosos em BH!
Inscrições até sábado às 23h59:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeTFX9aeUP-g5YOpPvniOz_bdqFLfw0h8CXba9IVERiFIsi2Q/viewform?fbclid=IwAR39gbGNQOxB-2Y2nUbtnBV42c8wnYnR-2PE24xq-KyDtXDfpFy7VxN4mjU
Deolinda tem o apoio de Sergio Sobreira e Gil Vicente Tavares

Participação de uma excelente equipe da UFBA.

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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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