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Entrevistas e dicas de espetáculos

Projeto de Extensão “A cadeia criativa do espetáculo teatral contada e cantada por quem o faz” – Como foi o encontro realizado com Paulo de Moraes
Publicado em 22/10/2020, 17:00
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Seminário A Cadeia Produtiva do espetáculo teatral contada e cantada por quem o faz
Mediadores:
Gil Vicente Tavares – Diretor dramaturgo e compositor; Professor da UFBA - Universidade Federal da Bahia.
Tita Virgílio - Doutoranda em Artes Cênicas do Ppgac Ufba - Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia.

Paulo de Moraes é ator, diretor, dramaturgo e cenógrafo paranaense.
Tem se dedicado ao trabalho de direção na Companhia Armazém, que criou em Londrina, em 1987, e também traz no currículo a criação de espetáculos, como artista convidado, Pequenos Milagres, com o Grupo Galpão, Jim, musical com Eriberto Leão, ator que dirigiu também em A Mecânica das Borboletas, Fala Baixo Senão eu Grito, entre outras realizações.
Entre os destaques da Cia do Armazém, num certo momento da entrevista, questionado sobre trabalhos que o deixaram totalmente satisfeitos, Paulo de Moraes cita Alice Através do Espelho, A Ratoeira É o Gato, Toda Nudez Será castigada, Hamlet e Inveja dos Anjos.
Em nenhum momento, no entanto, evidencia a sua qualidade como encenador. Para Paulo de Moraes, os atores é que são dignos de todos os louros!

Gil Vicente Tavares solicitou que Paulo de Moraes falasse sobre o surgimento da Cia Armazém, em Londrina, e a sua experiência como ator e diretor.
O início da sua caminhada no teatro foi num momento em que cursava jornalismo, num grupo chamado Delta, onde era ator e participou da montagem de Toda Nudez Será Castigada, de Nelson Rodrigues, com direção de José Antônio Teodoro, em 1984. Entrou para substituir um ator e com esse grupo viajou para vários festivais amadores pelo Brasil.
Um representante do Festival Latino de Teatro de Nova York assistiu ao espetáculo no Brasil e convidou a trupe para apresentar a peça no exterior.
Também ministrou oficinas de iniciação teatral no Colégio Delta e com o falecimento de Teodoro, de quem fala com carinho, estreia na direção teatral com seu grupo de alunos. Encena a peça Aniversário de Vida, Aniversário de Morte, adaptação de sua autoria para Nossa Cidade, de Thornton Wilder.
Funda a Cia Armazém, que permaneceu durante anos em Londrina e depois criou finco no Rio de Janeiro, na Fundição Progresso. Uma mudança necessária para que a companhia pudesse crescer e entrar em contato com o universo artístico de maneira mais estreita, o que se tornou possível quando Paulo de Moraes foi convidado para lecionar na CAL.

Paulo de Moraes sempre declarou que quem o instiga a criar é o ator. Tita Virgílio pediu para o diretor falar como é manter a vontade de criar acesa com tantos elogios que tem recebido ao longo os anos.
Moraes declarou que tem sempre o ensejo de realizar trabalhos que se aproximem das pessoas e que tenham o poder de emocioná-las. O que tem como meta é realizar um teatro voltado para o encontro, a reflexão e para o encanto.
Não pensa no sucesso e acredita que os elogios com relação aos espetáculos que dirigiu advêm da competência dos atores.
Considera que os atores são os artistas mais potentes, muito mais do que o diretor. É um grande admirador do ator porque ele possui o dom de transmitir claramente as ideias da direção.
Entre tantos atores com os quais trabalhou, na companhia e em projetos particulares, Moraes citou Paulo Autran, com o qual realizou adaptação de A Tempestade, de William Shakespeare, em 1994, à beira do lago Igapó.
¨Paulo Autran é uma faculdade de teatro genial e que conhecia profundamente o teatro¨.
Em nenhum momento da aula /entrevista evidencia a qualidade das suas realizações dando os créditos a si mesmo. Em todos os momentos, os elogios vão todos para os atores.

Após vários anos sem atuar, Paulo de Moraes voltou a subir ao palco no espetáculo Esperando Godot, primeira montagem da Armazém no Rio de Janeiro (quando decidiram estabelecer a sede da companhia na cidade), em 1998. Gil Vicente Tavares perguntou o que o motivou a voltar a interpretar.
O ator Adriano Garib, que interpretava o Pozzo, foi realizar um trabalho na TV e Moraes acabou substituindo-o.
Disse que quando pisou no palco como ator, ainda em Londrina, tinha 20 anos, e aos 40, achou que era o momento de mergulhar novamente no trabalho de intérprete.
A temporada não foi muito longa e ele não possui uma avaliação exata da qualidade do seu trabalho, mas disse que foi muito gratificante atuar novamente. Para Paulo de Moraes, atuar é voltar para os sonhos e anseios da infância.

Tita Virgílio solicitou para que o diretor detalhasse a concepção de Alice Através do Espelho e o motivo que leva a companhia teatral a sempre querer encenar a peça.
Alice através do Espelho, segundo Paulo de Moraes, começou a ser gestada quando ele era diretor da Escola de Teatro de Londrina, quando foi pensar na peça de formatura dos alunos.
Com a ajuda de Maurício de Arruda Mendonça, parceiro de inúmeros espetáculos, Paulo de Moraes salientou que criou uma dramaturgia que mescla as obras As aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do espelho (- E o que Alice encontrou lá), de Lewis Carrol e que no roteiro tem a personagem do escritor. Na trama, Carrol é uma figura internada no hospício.
Desde a criação da Armazém, Paulo e os atores sempre tiveram como premissa a necessidade de uma sede para que o grupo pudesse ensaiar diariamente, realizar reuniões e estabelecer uma linguagem própria. A ideia era ocupar um espaço alternativo para remodelá-lo com a necessidade de cada montagem.
Alugaram um antigo armazém de café e assim os espetáculos começaram a ganhar vida.
Sem a permanência no armazém, a concepção cenográfica de Alice através do Espelho, portanto, não teria sido tão impactante.
Para quem não conferiu o espetáculo, Paulo de Moraes descreveu detalhes da estrutura cenográfica e como foi a receptividade do público.
O cenário ocupava todo o armazém e foi criado uma espécie de labirinto com cortinas pretas que eram abertas e revelavam diferentes espaços.
A ideia da direção era criar sensações, que o espectador tivesse as mesmas sensações de Alice na sua trajetória no País das Maravilhas.
Uma encenação permeada pelo nonsense, que representa e muito, a trajetória de uma companhia que sempre buscou um contato sensorial e estreito com a plateia, mesmo em encenações realizadas num palco italiano.
Os sonhos de Alice se confundem com a imaginação do espectador e para isso, foram criados espaços para que o lúdico despertasse. A peça começava num mezanino; logo em seguida, Alice dormia, atravessava o espelho e, junto com os personagens, o público era obrigado a descer uma espécie de gangorra, para cair assim na alucinação da Alice.
Num outro momento, o teto era rebaixado para que existisse a sensação de sufocamento, de diminuição do espaço. Um espelho de emoções e sensações que cria um ambiente mágico.
Moraes destaca que evidentemente havia pessoas que se sentiam incomodadas de maneira negativa, mas o espetáculo é um dos maiores sucessos da Cia Armazém. Pais que assistiram ao espetáculo no passado levam agora os seus filhos para conhecerem esse trabalho.

Gil Vicente Tavares, que tem a experiência de dirigir textos próprios na sua Cia Teatro Nú, questionou Paulo de Moraes sobre como acontecem as escolhas dos textos.
Moraes disse que geralmente as escolhas acontecem durante conversas realizadas especialmente após as apresentações dos espetáculos e são os atores, a partir dos ensaios, que dão as ideias dos temas e conteúdos dos textos assinados por Moraes e Mendonça.
Na sua percepção, questões, que num determinado espetáculo não são centrais, acabam se tornando preponderantes na elaboração de um novo projeto. Uma espiral que não é pensada, mas que acontece de forma espontânea.
Citou como exemplo a criação de Inveja dos Anjos. A peça começou com o estudo de Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, e de acordo com a leitura, Paulo de Morais e Maurício Arruda Mendonça foram percebendo que para dar ao texto um caráter autoral era preciso que encontrassem um lugar mítico nas suas lembranças pessoais.
Paulo relembrou sua vida no interior do Paraná, quando residia em Cornélio Procópio. Pensou no quanto a linha do trem influenciava a vida na cidade, na medida em que havia a porteira, que, ao ser fechada durante a passagem do trem, impedia o ir e vir das pessoas.
Aí veio a ideia de criar uma trama na qual o cenário principal era a linha do trem, a qual guiava a vida dos personagens. Uma linha que em certos momentos da encenação tornava-se vertical, como se fosse um caminho para o imaginário.

Impulsionado Por Tita e Tavares que questionaram sobre quais os espetáculos o deixaram plenamente satisfeito e sobre o seu processo de criação, Paulo de Moraes contou que o que mais lhe interessa no fazer teatral é entender os lugares míticos das histórias.
Com certeza, a sua paixão pela literatura, pelas histórias em quadrinhos e pelo cinema é determinante para a criação de espetáculos onde o onírico sempre tem grande força.
Começa a pensar no espetáculo a partir da cenografia e os ensaios acontecem a partir do momento que o cenário está pronto.
Na sua visão, os atores são os donos dos espaços e é a partir das suas presenças que o diretor começa a pensar em como as cenas irão acontecer, e isso só é possível porque a Armazém tem uma sede.
Não estudou teatro e em Londrina nunca teve a oportunidade de ver muitos espetáculos. Destaca que o primeiro momento mítico que presenciou no teatro, foi quando residia em Londrina e ia a São Paulo: ficou impressionado com Paraíso Zona Norte, com direção de Antunes Filho e cenário de JC Serroni.

Tita Virgílio perguntou como Paulo de Moraes tem encarado a pandemia (como o diretor está lidando com os dias de hoje), na medida em que é um diretor que está sempre em atividade.
No momento em que a quarentena se tornou necessária, Moraes estava com Hamlet em cartaz no Rio de Janeiro, no Teatro Riachuelo, com casa lotada.
Num primeiro momento, ficou isolado e obviamente sem saber como agir diante de uma situação inesperada e incerta.
Depois surgiu a necessidade de conexão com os atores, para que a energia vital do teatro jamais fosse esquecida. Foi aí que surgiu a ideia de apresentar virtualmente parece loucura, mas há método. O objetivo foi exercitar o encontro, mesmo que de forma virtual.
Nas palavras de Paulo de Moraes: ¨Um experimento potente. Momento para se sentir vivo. Não é teatro, mas é comunicação com o público¨.
Parece loucura, mas há Método traz para o mundo virtual 9 personagens shakespearianas que duelam a partir de monólogos. A partir da intervenção de uma espécie de Mestre de Cerimônias, o espectador elimina um dos jogadores/personagens. Uma fábula para que a Cia Armazém mantenha o contato com o seu público.
Para Paulo de Moraes, ao mesmo tempo que estamos passando por momentos tristes e delicados, o lado positivo é que a obrigação de permanecer em casa lhe proporcionou uma maior proximidade com a sua filha.
Além disso, lhe proporcionou um tempo para que realizasse um mergulho nas lembranças dos seus trabalhos no teatro, resgatando conhecimentos. Uma oportunidade ímpar para compreender melhor a essência do seu ofício.

Antes da pandemia, que fez com que os teatros ficassem fechados, a Cia Armazém teve que lidar com a perda do Patrocínio da Petrobras. Um patrocínio permanente da Petrobras, de longa data (desde 2001), que passou por vários governos, mas que foi desfeito com a chegada de Jair Bolsonaro à presidência.
Foi um impacto negativo, obviamente, mas que conseguiram vencer com a bilheteria, aulas e eventos na sede.
Conseguiram aprovação num edital que foi cancelado, obtiveram aprovação num outro edital, mas como não existe a certeza da sua aplicação, é complicado dimensionar como será o futuro. Para piorar, surgiu a pandemia.
Apesar de tudo, Paulo de Moraes tem perspectivas de um futuro promissor porque é a união entre os integrantes da Cia Armazém que lhe dá forças para enfrentar as barreiras.

Gil Vicente Tavares, que além de diretor e dramaturgo também é compositor, indagou qual é o papel da música nas encenações da Cia Armazém.
Paulo de Moraes disse que até um certo momento da trajetória da trupe era ele quem escolhia as trilhas a partir de suas referências ligadas ao universo pop, especialmente a partir da sua paixão pelo cinema (com destaque para Scorcese) e para os quadrinhos (em especial Will Eisner).
Começou, no entanto, a estabelecer parcerias com músicos para a realização de trilhas originais, entre eles, Arrigo Bernabé e Ricco Viana, o responsável por levar ao grupo a possibilidade dos atores tocarem instrumentos em cena.
Viana criou arranjos para que o ator, mesmo não sendo instrumentista, consiga tocar com competência. Um detalhe que contribui para o crescimento do grupo nas encenações.
Entre os destaques, em A Marca da Água, os atores tocam acordeon para acompanhar os devaneios de uma personagem que tem um distúrbio, a sensação de ouvir uma música incessantemente.

Para finalizar os questionamentos propostos pelos mediadores, Gil Vicente Tavares pediu que o entrevistado falasse um pouco sobre a importância do ensino nas artes cênicas.
Devido à agenda intensa de ensaios e temporadas da Cia Armazém, ele ficou afastado da função de professor, mas voltará a dar oficinas.
Em novembro ministrará o Curso Online COMPOR A CENA, voltado aos aspectos técnicos de grandes montagens de sua companhia.

O diretor Gabriel Villela, que foi o primeiro entrevistado do Seminário, elogiou a atriz Patrícia Selonk e pediu para que Paulo de Moraes definisse qual a dimensão da atriz para o teatro, como é trabalhar com ela.
Villela elogiou a atriz com as seguintes palavras: ¨¨metade gente, metade de outro mundo¨, “uma atriz que tem uma dimensão cênica que leva poesia para A Cia Armazém; ¨um mistério que não se decifra, se contempla¨.
Paulo de Moraes também definiu Patrícia como poesia. Elogiou muito o seu talento e usou uma frase de Paulo Autran para classificá-la: ¨Patrícia Selonk é uma folha em papel em branco onde todas as emoções podem ser desenhadas¨.
Com a esposa e companheira na arte, vivenciou dois momentos que demostram o seu potencial como atriz:
Durante a temporada de Hamlet, na China, segundo Moraes, as pessoas ficaram impressionadas com os cartazes da peça, no qual a atriz estava caracterizada como o príncipe vingador. O cartaz, portanto, foi um chamativo para que as pessoas fossem ao teatro.
O público que foi conferir o espetáculo, jovens e mulheres em maior número, queriam conversar com Patrícia de tão impressionados que ficaram com a sua interpretação, em ver uma mulher interpretando Hamlet com tanta competência.
Mesmo com a dificuldade de comunicabilidade, em inglês, o contato era caloroso devido ao poder de comunicação da atriz.
Além da China, também foi marcante a passagem da peça por Edimburgo, com críticas excelentes exaltando a força e a potencialidade de Patrícia vivendo Hamlet.
¨A linguagem da Cia Armazém se desenha através do trabalho da Patrícia Selonk¨, afirmou Moraes. E complementou sinalizando que é uma atriz que está sempre propondo coisas. É técnica, mas sem deixar de lado a intensidade.

São 24 espetáculos, em 33 anos de atividades, que a Cia Armazém assina com o compromisso de ¨selar um jogo com o seu espectador, a imersão num mundo paralelo, recriado sobretudo pela ação do corpo, da palavra, do tempo e do espaço¨.
Para conhecer a trajetória dessa trupe que está entre as melhores do país: www.armazemciadeteatro.com.br
Hamlet, de 2017, e Engels in América são os espetáculos mais recentes da Cia Armazém, e claro que os participantes elaboraram questões abordando esses excelentes trabalhos.
Com relação a Hamlet, Paulo de Moraes destacou a atualidade de um texto que foi escrito na era elisabetana. Pensaram em encená-lo porque sentiram a necessidade de abordar o Brasil de 2016 sem ser literal (uma era de dissolução do tempo na visão da Cia Armazém).
A obra ganhou a versão dramatúrgica de Maurício Arruda Mendonça (o texto não está na íntegra), com foco especial nas cenas de Hamlet com a mãe, nas cenas com a presença de Ofélia e no momento em que acontece a peça ¨dentro da peça¨, além de outras cenas importantes que foram escolhidas para provocar um diálogo com os nossos dias.
Na concepção da Cia, Hamlet é quem destrói a ordem estabelecida e a peça trata com maestria as mazelas da nossa sociedade. Patrícia Selonk vive o príncipe de forma magistral, evidenciando a sua fúria e transmitindo as suas angústias e contradições. ¨Shakespeare compreende e questiona a loucura do mundo¨, Paulo de Moraes.

Com relação a Angels in América, de Tony Kushner, é uma peça escrita no início dos anos 90, com uma trama que começa em 1985 e entra nos anos 90. Uma história que fala do avanço da AIDS nos EUA e da Era Reagan.
Dividida em duas partes, o diretor Iacov Hillel levou somente a primeira para os palcos, em 1995. Paulo de Moraes assistiu ao espetáculo no Rio e, desde então carregava a vontade de montar o texto completo. Apaixonou-se pela narrativa.
Acredita que a segunda parte é necessária para um melhor entendimento da trama. Mesmo sabendo que seria difícil conseguir pautas nos teatros, devido à longa duração, não desistiu de encenar os dois atos.
Em São Paulo, foi o Sesc quem abraçou a ideia e o resultado foi excelente. Infelizmente não sabe se voltará para os palcos devido aos direitos autorais.
De qualquer maneira, é uma montagem recente e já muito marcante.

O professor da Escola de Teatro da UFBA, Luiz Marfuz, questionou Paulo de Moraes sobre a (possível) relação entre os trabalhos da Armazém com a performance.
Segundo Paulo de Moraes, apesar do trabalho da Cia não estar pautado na performance enquanto estética de encenação, a linguagem dos espetáculos dialoga com a performance com relação à busca de sempre se conectar com o espectador através de estímulos sensoriais, gerando respostas involuntárias no corpo do espectador.

Durante os seus 33 anos de existência, a Cia Armazém conquistou o reconhecimento merecido do público e da crítica. Sergio Sobreira perguntou ao entrevistado se existe um público específico que acompanha as montagens.
Paulo de Moraes disse que o público feminino é preponderante não somente nos trabalhos da Cia, mas que as mulheres são as maiores frequentadoras de salas de espetáculos (os homens geralmente as acompanham).
Segundo o diretor, as mulheres não somente têm um olhar especial para as narrativas apresentadas, como também estão mais preparadas para a vida e para o entendimento do valor do teatro.
Para finalizar a aula/entrevista, a Prof.ª Deolinda de Vilhena, que fez a sua tese de doutorado baseada nos modos de produção do Theatre du Soleil, disse que a trupe francesa se mantém viva devido a três pilares: o sistema de produção, a manutenção de uma sede e a fidelização do público.
Usando como exemplo a trajetória de uma companhia que também tem anos e anos de existência e uma trajetória de sucesso, Deolinda pediu para Paulo de Moraes falar da relação que a Cia Armazém estabelece com o seu público e a importância da sede na manutenção da sua vitalidade.

Na opinião de Paulo de Moraes, quem prestigia as montagens é um público que quer dialogar com o dia de hoje e busca no teatro uma profundidade que não encontra nas demais manifestações artísticas. Um público que enxerga que no teatro a fantasia acontece com mais vigor e que o maior trunfo do trabalho da Cia é tocar o homem a partir do sonho/do universo onírico.
Moraes nunca conseguiu vislumbrar um futuro promissor de uma trupe sem a existência de um espaço próprio porque é ele que garante a realização de ensaios contínuos, sem depender de horários dos teatros.
O grupo ocupou a Fundição Progresso no Rio quando o centro cultural estava ainda em construção, e Moraes conta com orgulho que foi ele, com a ajuda dos atores da sua Cia teatral, que arrumou o espaço (colocando ¨a mão na massa¨) para que fosse possível receber o público de maneira confortável.
O diretor sempre prezou os horários de encontros e ensaios sem limites de duração, frisando que muitas vezes os ensaios para os espetáculos aconteceram em horários diversos e até mesmo inusitados.
Aproveitou a presença do diretor Gabriel Villela para agradecer a ele pelo apoio quando administrava o Teatro Glória, no Rio De Janeiro. Agradeceu a sua generosidade e o seu acolhimento no momento em que a Cia Armazém acabara de chegar na cidade. Como ainda não tinham encontrado um local para estabelecer a sede, Villela cedeu o palco do Teatro Glória para que ali realizassem os ensaios.

Finalizando as falas da sétima edição do Seminário, Deolinda pediu para Paulo de Moraes deixar um recado aos alunos da UFBA e usou a seguinte frase para classificar a qualidade do trabalho da Cia Armazém:
¨A força do aço e a delicadeza da renda¨.

Paulo de Moraes declarou que o momento está complicado, mas que é preciso nunca perder o encanto.

¨É PRECISO TER FÉ, ACREDITAR NO HOMEM E NO PODER DA TRANSFORMAÇÃO DO TEATRO¨.
¨A TIRANIA NÃO PODE VENCER O SONHO; A TIRANIA NÃO TEM O PODER DE VENCER O SONHO¨.
PAULO DE MORAES

O Seminário A Cadeia Produtiva do Espetáculo Teatral Contada e Cantada Por Quem o Faz estará com Caetano Vilela no dia 27 de outubro de 2020.
Idealização Deolinda de Vilhena
Parceiros: Sergio Sobreira e Gil Vicente Tavares

Caetano Vilela é encenador e iluminador.
É profissional da área cênica, onde começou como ator e hoje desenvolve múltiplas funções como produtor, iluminador e diretor cênico dentro do segmento de espetáculos de ópera, teatro e musical. Além disso, colabora com alguns veículos de comunicação com artigos, críticas e gravações para as áreas de literatura, cinema, teatro, etc. com destaque para o jornal Estado de São Paulo e Programa Metrópolis da TV Cultura.
O link para inscrições exclusivas e gratuitas está fixado no evento até às 23:59 do dia 24 de outubro.
LINK INSCRIÇÕES:
https://forms.gle/Tj2HiTGDMiobPtnGA


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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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