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ENTREVISTA: Evill Rebouças - O ator, dramaturgo, diretor e educador lança o livro “Como plumas ao vento – Comme des plumes au vent”
Publicado em 04/12/2019, 12:00
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Ator, dramaturgo, diretor, educador e um dos fundadores da Cia. Artehúmus de Teatro.

No dia 7 de dezembro, às 18h, o artista lança o livro “Como plumas ao vento – Comme des plumes au vent”. Exemplar em português e francês, o livro aborda o lugar de (não) pertencimento para refugiados. Foi contemplado com o Prêmio ProAc Editais – Texto de Dramaturgia e resulta de pesquisa com refugiados no Brasil e de experimentos práticos com a Cie. Nie Wiem, na França.

O livro será vendido por R$ 25. Saguão da Unidade Roosevelt (Praça Roosevelt, 210, Consolação). Quando:7 de dezembro, sábado, às 18h.

Graduado em artes cênicas pelo Instituto de Artes da UNESP, lançou o livro A dramaturgia e a encenação no espaço não-convencional, resultado de seu mestrado e publicado em 2009 pela Edunesp.

Realiza trabalhos que também estão pautados pela criação coletiva, seja através da sua Cia Artehúmus de Teatro ou de outras produções.

Em dramaturgia, tem formação pelo CPT - Centro de Pesquisa Teatral de Antunes Filho e no SEMDA - Seminário de Dramaturgia do Arena sob a supervisão de Chico de Assis, durante cinco anos.

Assinou a encenação de mais de quinze montagens, escreveu mais de vinte peças e já recebeu diversos prêmios de melhor autor.

No SESC Belenzinho está em cartaz o espetáculo (In)justiça a Companhia de Teatro Heliópolis. A encenação é dirigida por Miguel Rocha, fundador e diretor da Cia, e Evill assina o texto criado em processo colaborativo com o grupo.

(In)justiça é um ensaio cênico que fala sobre os direitos humanos e sobre aspectos do sistema jurídico brasileiro.

A peça foi criada a partir de encontros com pensadores sobre o assunto: Viviane Mosé (filósofa), Gustavo Roberto Costa (promotor de justiça), Ana Lúcia Pastore (antropóloga) e Cristiano Burlan (cineasta; Maria Fernanda Vomero (provocadora cênica, jornalista e pesquisadora teatral) como mediadora.

ENTREVISTA:

DE OLHO NA CENA- NANDA ROVERE - Acompanho faz muitos anos o seu trabalho, você sempre se desdobrando em diversas funções. Fale um pouquinho sobre essa rotina de dedicação à arte.
EVILL REBOULAS - Outro dia pensei sobre isso. Em 2019 completei trinta anos vivendo de arte somente. Sou muito grato por isso, principalmente por conseguir ser fiel à minha essência e por viver daquilo que amo fazer. Mas acho que só consegui porque atuo, dirijo, escrevo para teatro, para cinema e TV, além de ser professor de teatro e de roteiro.

NR -Os seus trabalhos sempre ocupam espaços que promovem a interação e/ou a proximidade com o público. Como é criar para esses espaços alternativos. Lembro de um espetáculo que foi encenado em um banheiro público.
ER - Essa busca por ampliar a relação do espectador com espetáculo acabou se transformando na minha pesquisa de mestrado que foi publicada em livro (A dramaturgia e a encenação no espaço não convencional, 2005, Edunesp). O público hoje é outro e busca por experiências para além de assistir. Isso, geralmente, ocorre quando o expectador sai da posição de ¨expectrar¨ para ¨experienciar¨, ou seja, quando ele se torna um conviva - termo que Bia Medeiros, do grupo Corpos Informáticos, de Brasília, usa para evidenciar a ideia de espaço concreto para as ações do público dentro do experimento estético. Sempre que possível, trabalho sobre esse olhar.

NR - Os seus processos de criação primam pela realização de projetos colaborativos. Como é para você ouvir o outro, aceitar a opinião do outro num mundo tão individualista como é o nosso?
ER - Fui e ainda sou bastante convidado para escrever por meio de processos colaborativos; então acho que o número de peças escritas sob esse modo de produção se deu pela demanda, pelas indicações de companheiros que vivenciaram essa experiência comigo. Também porque eu gosto muito de ouvir, de tentar entender o que o outro quer dizer – é um desafio e tanto, mas é absolutamente prazeroso ver que o “filho do outro” também está sendo parido por mim e que podemos ter a possibilidade de fecundar um filho com as nossas caras. Amo essa junção. Mas há processos em que o genitor ou genitora não quer parceria; aí em vez de pai poético você se torna um sujeito que redige e organiza o que o outro criou ou serve apenas para por um nome na certidão/programa. Aí bate um vazio inexplicável.

NR - Por falar em processo criativo, (In)justiça indicada a prêmios e com uma abordagem tão atual e necessária sobre os direitos humanos. Como é criar a partir de dados reais? O que considera mais marcante na encenação e no seu texto?
ER - Gosto de me apropriar de realidades para criar poéticas sobre elas. Poética no sentido de ser pungente, singelo, cruel. (In)Justiça tem esses aspectos, e tem muito de realidade, pois o que escrevi veio de urgências reais vivenciadas pelos atores e de provocações poéticas que eu jogava a partir dessas realidades.

NR - -Como está a perspectiva dos jovens com relação ao futuro, especialmente futuro da arte, e qual o papel do educador hoje?
ER - Tem algo diferente no ar, na embocadura, nas pontuações ou na falta dessas pontuações. Outro dia, um aluno de cinema me disse que essa ausência de pontuação faz com que ele leia mais de uma vez a mesma coisa, que há várias possibilidades de leituras sobre um texto que foge do padrão de escrita. Ele não conhecia Saramago, mas tem em si uma das essências de Saramago. Esses artistas que estão chegando são mais porosos e enxergam os problemas atuais com mais “leveza”. Talvez isso estabeleça diferentes modos de produzir e de pensar arte.

NR - O seu novo livro é o resultado de pesquisa com refugiados no Brasil e de experimentos práticos com a Cie. Nie Wiem, na França. O que você destaca nessa experiência?
ER - A experiência na Nie Wiem foi incrível, pois tive o desafio de criar um texto que pudesse abarcar o tema e os espaços do galpão fabril onde o grupo tem sede. Quase encerramos o espetáculo “Sonhos & Songes” com os convivas colocando barcos de papel para navegar num rio de verdade, próximo ao galpão industrial.
Nesse segundo texto, que foi publicado no livro “Como plumas ao vento”, pude trabalhar dois pontos de vista sobre os refugiados: a partir do olhar dos franceses e a partir da própria fala dos refugiados aqui no Brasil. São olhares muito diferentes e complementares, pois se os franceses se sentiam ameaçados com o grande número de sujeitos que invadiam seu país, ouvi também muitos relatos de ameaças sofridas pelos refugiados ao contar o que viveram em seus países. Em comum? Parecem não pertencer a nenhum lugar, daí o nome de “Como plumas ao vento”.

NR - E o papel da arte nesses tempos sombrios? O papel do artista...dá pra ter esperança. Como agir diante desses tempos de não representatividade na cultura, e em todas as áreas?
ER - Estou tentando descobrir a cada dia, pois a ignorância e ódio são plurais e imensuráveis nesse atual momento em que vivemos. A cada dia mais um direito é tirado, e para combater esse estado de coisas, só nos resta pensar em estratégias múltiplas. O que a Artehúmus fez em 2016 ao ocupar a Rua Augusta com o espetáculo “Neverland – ou as (in)existentes Faixas de Gaza na Paulicéia Desvairada “ não pode ser mais feito. Ou melhor, se fizermos seremos agredidos ou mortos, já que os atos e pensamentos neofascistas do atual presidente insufla grande parte da população.

Serviço “Como plumas ao vento – Comme des plumes au vent”:
Onde: Saguão da Unidade Roosevelt (Praça Roosevelt, 210, Consolação). Quando:7 de dezembro, sábado, às 18h.

Serviço: Espetáculo (In)justiça
Com Companhia Teatro de Heliópolis
De 15 de novembro a 8 de dezembro de 2019
Sextas e sábados, às 20h, domingos e feriados, às 17h*Local: Sala de Espetáculos I (120 lugares)
R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia-entrada); R$ 9 (Credencial Plena do Sesc). Duração: 105 minutos. Recomendação etária: 14 anos. Gênero: Drama. Sesc Belenzinho. Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.
Belenzinho – São Paulo (SP). Telefone: (11) 2076-9700. www.sescsp.org.br/belenzinho
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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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