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Entrevistas e dicas de espetáculos

ENTREVISTA – A atriz Tania Bondezan está em cartaz com o espetáculo A Golondrina no Teatro Nair Belo
Publicado em 24/05/2019, 22:00
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A Golondrina leva para o palco Tania Bondezan e Luciano Andrey. Dirigida por Gabriel Fontes Paiva, a peça é do espanhol Guillem Clua.

O espetáculo está em cartaz de sexta a domingo no Teatro Nair Belo, localizado no Shopping Frei Caneca, em São Paulo. A temporada termina em 9 de junho e em julho e agosto a peça ocupa o Auditório do MASP.

Carmen Maura está encenando a peça na Espanha. O texto, que também já foi montado em países como Grécia e Inglaterra, discute a libertação e aceitação.

A peça é inspirada no ataque terrorista homofóbico à boate Pulse, em Orlando, em 2016. Narra o encontro transformador entre uma professora de canto, que perdeu seu filho nesse ataque terrorista, e um sobrevivente do atentado.

Tania ficou encantada com a obra, com o seu conteúdo e a urgência de encená-la nos dias de hoje. Foi como se ela tivesse vivido tudo aquilo. Logo se uniu ao produtor Ronaldo Diaféria (foi quem lhe apresentou o texto) e ao Odilon Wagner, seu amigo e parceiro de longa data no teatro.

Durante sete anos a atriz fez Brasil afora a comédia Como ter sexo a vida toda com a mesma pessoa. Um grande sucesso da sua carreira e a experiência de estar sozinha no palco e encenar uma comédia.

Entre interpretações de destaque no teatro, vale citar o seu trabalho no lindo espetáculo Ciranda, de Célia Forte (2011), direção de José Possi Neto.

Outro trabalho marcante, entre tantos, Mambo Italiano (2011), tradução, adaptação e direção de Clarisse Abujamra e produção de Ronaldo Diaféria, com a presença de Luciano Andrey no elenco.

Em Édipo (também de 2011), com direção de Elias Andreato, Tânia interpretou Jocasta. Ela diz que quer voltar com essa peça e deixo aqui a torcida para que ela volte. Direção sensível de Andreato, que também assinou a adaptação.

Na TV, Tania fez A Idade da Loba, na Band. Na Rede Globo, Chiquinha Gonzaga,Terra Nostra e Chocolate com Pimenta. Fez inúmeras novelas no SBT, entre elas, Os Ossos do Barão, Chiquititas, Esmeralda e Cúmplices de um Resgate.

No cinema, acabou de participar do filme O avental Rosa, de Jaime Montardim, e está também nos longas Beijo 2348/72, Alma Corsária, Durval Discos e Pra que Time Ele Joga?

Nessa entrevista para o DE OLHO NA CENA, a atriz fala da sua trajetória e de sua paixão pela peça A Golondrina.

A conversa aconteceu no Restaurante Pimenta romã, que apóia o De Olho na Cena e o espetáculo.
(Obrigada Val Ribeiro Pires pela atenção)

NANDA ROVERE - Como o texto A Golondrina chegou até você?
TANIA BONDEZAN - Ronaldo Diaféria estava com o texto em mãos há um ano e meio, mas ainda não tinha conseguido montar. Sabe quando uma coisa fica guardada para ser mostrada na hora certa?
Eu já estava fazendo Como ter sexo a vida toda com a mesma pessoa, de Monica Salvador, há sete anos e meio. Nesse meio tempo, eu fiz novela no SBT, um filme com o Jaime Monjardim, mas estava querendo um novo desafio. Um dia, liguei para o Ronaldo e ele me disse que tinha esse texto. Ele me mandou e estava em Espanhol. Eu nunca estudei Espanhol na vida, mas enlouqueci tanto com a peça que acabei traduzindo o texto. Estou muito orgulhosa com esse projeto. Escolhi, com a ajuda dos outros produtores, o ator, o diretor e tudo deu muito certo. Eu já fiz outros espetáculos importantes, mas as pessoas dizem que esse é o meu melhor trabalho É como se fosse uma maioridade para mim, na minha carreira como atriz e produtora. Eu estou plena em cena.

NR- O que mais a encantou na obra?
TB - Não é um texto maniqueísta. Não existe verdade absoluta. Tanto o menino quanto a mãe têm razão. Traz uma mensagem linda para os dias atuais. Somos três produtores: eu, o Ronaldo e o Odilon Wagner. Tudo aconteceu rapidamente.

NR- Você comentou que as pessoas estão se emocionando bastante no teatro com A Golondrina...
TB - O público fica encantado porque estamos vivendo tempos difíceis no Brasil e no mundo, homofobia e racismo (parece que o preconceito e a ignorância estão ganhando cada vez mais espaço), e as pessoas assistindo ao espetáculo se sentem profundamente tocadas. A peça traz uma mensagem. Trata do homossexualismo, mas não fala somente para o público gay. Você pode transportar a história para qualquer tipo de aceitação. Uma mãe que sonha para o filho uma carreira diferente da que ele escolheu . O que acontece com o personagem da ¨Golondrina¨ não acontece somente com os gays. Todos os que são considerados diferentes podem sofrer ações violentas em razão do preconceito. Isso é terrível, mas infelizmente nós somos assim. Defendemos o que pertence ao nosso ¨mundinho¨ e em pleno século XXI o mundo é muito maior do que esse ¨pequeno mundinho¨. As pessoas se emocionam muito e dão uma resposta muito positiva para a gente. As pessoas comentam que a peça é teatro no melhor sentido da palavra, um grande teatro.

NR – Já na primeira leitura, o que mais chamou a atenção na sua personagem?
TB - Amélia, o nome da personagem da peça, coincidentemente é o nome da minha mãe. Eu tive uma relação um pouco difícil com a minha mãe. Ela era uma ótima mãe, mas tinha problemas comportamentais de pessoa que vivia no interior, nasceu em 1927, nunca teve acesso a um tratamento médico e no final ela acabou falecendo de Alzheimer...A personagem ter o mesmo nome da minha mãe já foi algo que me tocou de início. E assim como a Amélia eu sou mãe. Não tenho nenhum tipo de problema com o meu filho. Temos uma relação maravilhosa que foi construída e hoje falamos eu te amo diariamente. E a peça fala muito de pais e filhos que não conseguem dizer eu te amo. A Amélia é uma mãe que tenta acertar, como todas as mães, mas não consegue lidar com algumas coisas. No final ela é perdoada porque nessa história não existe um culpado. A mãe acha uma luz no final da peça e se reencontra com o filho morto através das lembranças e com a relação que estabelece com o outro personagem (vivido pelo Luciano).

NR – E como é contracenar com o Luciano Andrey?
TB - Eu escolhi o Luciano porque eu já havia trabalhado com ele no Mambo Italiano, com produção do Ronaldo Diaféria, e coincidentemente, a peça também tinha uma temática gay. Depois o Luciano seguiu para a área dos musicais nos últimos sete anos, e eu fiquei também nos últimos sete anos apresentando ¨Como ter sexo¨. Tanto eu quanto ele estávamos precisando de um teatrão na veia. É um mergulho muito profundo que realizamos na vida dos personagens. A nossa relação é muito intensa. Estou adorando poder contracenar com o Luciano.

NR – Fale um pouco sobre o sucesso de Como ter sexo a vida toda com a mesma pessoa. Como
TB - Eu fiz a peça no Acre, em Roraima, Recife três vezes, Belo Horizonte três vezes, o sul todo, fiz em lugares incríveis e pretendo voltar ainda este ano com o espetáculo. As pessoas acham que A Golondrina é muito difícil (e é!), mas ¨Como ter sexo¨ foi uma grande experiência para mim. Estar sozinha no palco e dar conta de uma platéia, não deixar a peteca cair, é uma tarefa difícil. O diretor Odilon Wagner me ajudou muito. Hoje eu posso dizer que domino qualquer público, mas conseguir isso foi um grande aprendizado.

NR – Em como ter sexo, Odilon dirige e ele é seu parceiro na produção. Como é essa relação profissional?
TB – Somos sócios e amigos faz muito tempo, sou amiga da mulher dele também. Ele não ia produzir comigo A Golondrina, mas ele leu o texto e ficou muito emocionado. Ele enlouqueceu e sempre diz que é um dos textos mais emocionantes que já leu.

NR – Já vi muitas pessoas chegando até você pra cumprimentá-la por trabalho em novelas.
TB – A novela que mais gostei de fazer na minha vida foi Terra Nostra, que está sendo reprisada no Canal Viva. Eu já tinha trabalhado com o Jaime Monjardim em Chiquinha Gonzaga e A Idade da Loba (na Band), mas Terra Nostra é surpreendente porque eu tinha um bom personagem, um bom texto em minhas mãos e um bom diretor. Uma novela marcante para as pessoas foi Esmeralda, no SBT. Viajando com o ¨Como ter sexo¨ no Nordeste as pessoas me paravam para comentar sobre a novela. Eu fazia uma vilã que atormentava uma menina cega e essa novela já foi reprisada várias vezes pelo SBT, e sempre com sucesso. A novela tem mais de quinze anos e as pessoas ainda lembram do meu trabalho.

NR – Enquanto atriz e produtora, o que você pode dizer com relação às mudanças na Lei Rouanet?
TB – Faço parte da APTI (Associação dos Produtores Teatrais Independentes) que tem trabalho muito importante na questão cultural. Temos que ser militantes. As pessoas ficam demonizando a Lei Rouanet sem entendê-la. Claro que houve abuso, mas foi por parte de meia dúzia de pessoas. A renúncia fiscal, de toda renuncia que vai para as outras áreas, como para a agricultura e para a indústria automobilística, a que está relacionada com a Rouanet é mínima (por volta de 0.40 por cento), mas eles pegam no pé dessa lei porque envolve grandes artistas e isso dá visibilidade. A Lei precisa de acertos, mas ela é o único mecanismo que temos para que o teatro continue existindo. São Paulo é uma cidade cultural e precisamos ter peças em cartaz. Os musicais precisam continuar existindo. Os musicais são importantes porque são os maiores empregadores das artes cênicas, fazem um trabalho de alto nível. O que eu acho é que essa nova instrução normativa da Lei Rouanet diminuiu drasticamente os valores de captação, penalizando principalmente os produtores independentes. Para um setor que emprega 1 milhão de empregos diretos isso é muito pouco.

NR – Algo que queira sinalizar na sua trajetória profissional?
TB – Comecei com dança, depois que fui para o teatro. Larguei a Geografia. Tenho uma grande paixão pelo teatro. Depois que você é mordido por ele, não tem mais como escapar. O teatro tem espaço para todo mundo e é uma forma de cultura de um povo. Por esse motivo, a classe tem que se respeitar. Já fiz todo o tipo de teatro e poder exercitar a profissão de todas as maneiras possíveis é maravilhoso. Faço muita TV, menos cinema do que eu gostaria, tudo é válido.

NR – Para finalizar, algo que queira acrescentar ou reforçar?
TB – Gostaria de reforçar a importância da ¨Golondrina¨ para os dias de hoje. A maior importância da peça é a sua mensagem de aceitação. Tem um momento que eu pergunto para o personagem do Luciano, meu grande parceiro em cena: ¨O que que nos faz humanos. Ele pensa e fala: ¨Não sei, O Amor? (o amor não porque os agressores também amam)... E eu falo: O que nos toca é a dor. É a capacidade de sentir a dor como se fosse nossa¨. A peça fala da capacidade de conseguirmos olhar para o outro como um irmão...O mundo precisa de mais amor e compreensão. E A Golondrina veio para passar essa mensagem. Espero que consigamos apresentar a peça por anos. Não é à toa que Carmen Maura está apaixonada pelo texto na Espanha e ele impacta a todos no mundo inteiro. A temporada vai até o dia 9 de junho no Teatro Nair Belo e depois pretendemos ir para outro teatro, ainda não sabemos qual.

FICHA TÉCNICA
Autor: Guillem Clua
Tradução: Tania Bondezan
Direção: Gabriel Fontes Paiva
Elenco: Tania Bondezan e Luciano Andrey
Cenógrafo e figurinista: Fabio Namatame
Assistente de direção: Ana Paula Lopez
Iluminador e Sonoplasta: André Prado
Trilha Sonora: Luisa Maita
Preparação Vocal: Jonatan Harold
Montagem/Direção de Cena/Contrarregra: Tadeu Tosta
Produção: Ronaldo Diaféria, Odilon Wagner e Tania Bondezan
Assessoria de imprensa: Pombo Correio

SERVIÇO
Teatro Nair Bello – Shopping Frei Caneca - Rua Frei Caneca, 569 - 401A – Consolação
Temporada: de 19 de abril a 09 de junho
Às sextas e sábados, às 21h; e aos domingos, às 19h
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$30 (meia-entrada)
Classificação: 16 anos
Duração: 90 minutos
Capacidade: 200 lugares
Informações: (11) 3472-2414
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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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