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ENTREVISTA - Clovys Torres é um artista sempre em busca desafios
Publicado em 29/06/2018, 22:00
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Clovys Torres é um artista sempre em busca desafios. Não para de atuar, escrever e produzir.

Formado em Comunicação Social, com especialização em jornalismo literário, o ator Clovys tem mais de dez peças escritas e um livro de poemas e contos (Curva de Vento-2016).

O artista reestréia o monólogo Ma Dá A Tua Mão, de sua autoria, na Sala Orquidário do Pimenta Romã, sábado, 2 de junho, esteve em cartaz com Desolador, com direção de Gabriela Mellão, baseado na trajetória do dramaturgo francês Antonin Artaud e acabou de estrear Kansas, também com direção de Gabriela Mellão, em cartaz no Teatro Sergio Cardoso.

Entre os trabalhos que realizou: Moscarda (2010-2013), de Luigi Pirandello, direção de Valeria Lauand; Carretel (espetáculo de dança), dirigido por Rubens Oliveira e Sergio Ignacio; Amores Urbanos (três textos, um de sua autoria, dirigido por Clarisse Abujamra, outros de Marcelo Rubens Paiva e Mario Bortolotto, com direção dos mesmos), que ficou em cartaz entre 2014-2015; Esperando Godot, de Samuel Beckett, dirigido por Elias Andreato (2016- 2017).

Clovys assina a autoria de Retrato Emoldurado – 2009 – direção de Jairo Mattos); Trem das Onze (dirigido por Cida Moreira - 2000), Maria Mucuta (dirigido por Weber Reis-2002-2005) e dois espetáculos em fase de montagem: Café Paris, a ser dirigido por William Pereira e Corações de Alcachofra, dirigido por Vivien Buckup.

Apaixonado por literatura, produziu por dez anos o evento de leituras dramáticas Letras em Cena, no Auditório do MASP. Realizou também o evento Primeira Pagina, com a presença de escritores renomados, Atores e Poetas e o Dose Dupla, unindo entrevista, música e performance, entre outros projetos.

Sobre Kansas
Ester Laccava, Erika Puga, Alexandre Stockler, Clovys Tôrres e Plínio Soares
Direção e dramaturgia Gabriela Mellão
Teatro Sérgio Cardoso
Sinopse: Kansas é uma imersão sensorial no universo dos medos da contemporaneidade. Fruto de uma extensa pesquisa sobre o tema, o espetáculo expõe a precariedade do mundo hoje ao apresentar estilhaços de vida de homens asfixiados por sua própria humanidade.


ENTREVISTA
O RESTAURANTE PIMENTA ROMÃ APOIA OS ESPETÁCULOS DE CLOVYS TORRES E O SITE DE OLHO NA CENA


NANDA ROVERE - Gostaria que falasse sobre o processo de Me Dá Tua Mão, como surgiu a ideia do texto, o que você destaca nele.
Clovys Torres - Há muito tempo eu estudo e pesquiso memórias. Parece meio vago falar isso, mas na prática eu iniciei em 2000 uma pesquisa com idosos sobre o que eles mais gostavam na vida ou o quê não esqueciam etc etc...Foram mais de 500 entrevistas só naquele ano, processo que resultou em Maria Mucuta, meu primeiro solo, dirigido por Weber Reis. Eu fazia uma velha que em seus últimos 50 minutos de vida pedia a mão de seu marido... Tratava-se da grande despedida, mas ele se encontrava na sala da casa, recebendo as visitas e tinha dificuldades de encontrá-la no quarto. No fundo, era um espetáculo poético falando sobre a morte e o amor. Passados tantos anos, cheguei a Me Dá Tua Mão, onde este homem conta histórias sem parar, como quem canta pra boi dormir, para evitar o inevitável. Mas a narrativa é apenas uma plataforma para que possamos viajar em nossas memórias, vividas ou inventadas, ou ainda, recriadas... é uma dádiva à imaginação de cada pessoa da platéia....e para uma delicia viajar com todos em imagens, sons, épocas, desejos, alegrias, tristezas.

NR - Qual a diferença para você enquanto ator entre a experiência de escrever e atuar num texto de sua autoria e atuar em textos de outros autores?
CT - O processo de encontro e construção da personagem ou de namoro com a peça, o elenco e o diretor é o mesmo. Claro que eu tenho a impressão de já conhecer o universo que é revelado em meu texto, por ser autor, mas assim que inicio o trabalho de ator, tento esquecer de quem é o texto e mergulhar fundo nesta investigação que é do ator e não do autor. São energias diferentes, tempos distintos, prazeres e dores muito semelhantes e profundamente distintos..Eu gosto de tudo ( rerere).

NR - Você chamou o Amir Haddad para desconstruir a cena. Como foi isso?
CT - Eu escrevi Me Da Tua Mão e fui ensaiando com pequenas plateias, fui montando a minha narrativa. convidava pessoas, amigos, desconhecidos, etc....Um dia chamei a Clarice Niskier, que se hospeda no hotel que moro há anos aqui em São Paulo. Ela fez muitos comentários generosos, inteligentes, pertinentes ... É uma atriz, uma artista que admiro demais, então eu cheguei a cogitar que ela me orientasse. Entre cafés e conversas, ela me disse: se você gosta do que eu falo, da maneira como vejo o teatro, vou te levar até o meu mestre: Amir Haddad. E foi assim que tudo começou, pela generosidade humana e artística de Clarice. E eu me apaixonei pelo Amir, mergulhamos no processo que já tinha concluído uma etapa inicial. Ele é genial, generoso, uma fonte inesgotável de saber e energia. Fui e sou muito feliz cada vez que o encontro, a cada troca. Queria ser rico para ter condições de trabalhar com o Amir em muitos e muitos projetos. Ele é um mestre com tudo que tem direito. Um diretor que fomenta o ator, que incentiva, provoca a liberdade, potencializa a criação. Só a agradecer este encontro.

NR - Um pequeno balanço dessa experiência.
CT - Sou outro ator, outro autor, outro ser humano depois da experiência com Amir Haddad. Ele faz a diferença, não é diretor de marcar e obviedades, ele é um mestre que incendeia o artista para que ele tenha autonomia e se reinvente, se liberte, se conscientize de seus poderes. É uma questão de filosofia, de ideologia. O teatro depois do teatro ou o teatro antes do teatro que ele prega, é para poucos artistas, mas é para todos os públicos, porque comunica.

NR - Nesse ano você fez Me Dá Tua Mão, Desolador e agora vai estrear Kansas. Como é ensaiar, apresentar, viajar com os espetáculos. Como você se organiza pra tudo isso?
CT - Eu vivo o teatro e para o teatro. amo ser ator, autor...Estar no meio dos processos, mesmo quando isso me custa a paz de espírito, porque o teatro é trabalhar com vícios, vísceras, alegrias e dores, sonhos, pesadelos e muitos desafios e dificuldades, né? Eu posso dizer que vivo a vida, não a que pedi a Deus, mas a que construí por vontade própria, a que alimento e renovo diariamente. A agenda é conseqüência do desejo, dos desejos, melhor dizendo.

NR - E sobre Kansas, o que pode destacar, além claro de estar entre amigos parceiros de trabalho, como a Gabriela Melão que te dirigiu em Desolador e vocês já trabalharam juntos no passado...
CT - Um processo intenso, desafiador, com amigos e artistas incríveis, generosos. Muito rica a experiência, ensaios diários e muita colaboração de todos. Estar com Gabriela novamente é interessante porque também me coloca em um outro lugar com a mesma diretora e isso é um aprendizado incrível. Muitos desafios a vencer e o trabalho em grupo te exige um movimento a mais, um entendimento do todo, do processo.

NR - Você é dos atores que mais se entregam em cena, como é a sua preparação para entrar no palco. E a sua expressão corporal é incrível, como manter toda essa expressividade?
CT - Obrigado pela maneira como você me enxerga, mas a verdade é que o teatro é um amante exigente demais. Eu tento me jogar, nem sempre consigo, mas trabalhar corpo, voz e cérebro (risos) é nossa obrigação. Eu confio mais na inteligência do meu corpo para realizar um trabalho do que no meu raciocínio (risos). procuro entender e sentir cada processo e naturalmente as coisas acontecem (ou não rerere)...

NR - Com Me Dá Tua Mão você viajou e se apresenta em diversos espaços, e isso é uma constante na sua carreira. Como é entrar em contato com pessoas que muitas vezes não têm o hábito de ir ao teatro (fale o que achar oportuno sobre as viagens)
CT - Eu adoro este contato com o público. Este solo (Me Dá Tua Mão) tem me permitido experiências incríveis porque tenho ido a lugares muito inusitados e muitas pessoas realmente nunca foram ao teatro e quando temos a chance de conversar com alguém que esta vendo teatro pela primeira vez é um olhar inaugural, isso é lindo...é como o primeiro beijo....AH, se o primeiro beijo é com você então...Eu gosto muito desta emoção que o teatro (este teatro do Amir etc) provoca, proporciona. Eu adoro ver públicos diferentes, de lugares distantes, aqueles que jamais estariam em uma sala de teatro em São Paulo. Cada vez mais eu gosto disso... acho que sou meio menestrel, meio cigano.

NR - Você tem no currículo vários monólogos. É uma predileção?
CT - Eu só tenho quatro monólogos... É verdade que já preparo o quinto, mas não é uma preferência...Eu gosto de trabalhar sozinho e gosto de trabalhar em equipe também...tudo na vida é uma questão de com quem você vai dançar e a que horas....e mesmo em solos, a dança nunca é solitária.

NR - Você já trabalhou com diretores como Elias Andreato, Amir Haddad, Gabriela Mellão, Clarisse Abujamra, Marcelo Rubens Paiva, Mario Bortolotto, Aimar Labaki. O que pode falar dessas experiências e quais espetáculos destaca na sua trajetória?
CT - Eu sou um ator muito jovem ainda para me avaliar assim, não me sinto a vontade para destacar nenhum trabalho porque cada um me mostrou algo diferente. todas as experiências são importantes e nos conduzem pelo caminho da criação, nem sempre prazeroso, nem sempre muito claro, quase nunca, aliás. Às vezes você se identifica mais com a maneira de um levar o processo ou se irrita mais com outro (risos), mas eu aprendi muito com cada um deles. Cada trabalho tem sua energia própria que vem da constelação de pessoas (produção, corpo técnico, elenco, direção etc). Só tenho a agradecer a cada um e tirar lições dos processos. Mas posso dizer que gostei muito de trabalhar em Esperando Godot, Desolador, Zibaldone...e amo Me dá a tua mão...ou seja...eu gosto de trabalhar (risos). Depois, estes diretores todos são figuras importantes, com personalidades e carreiras tão distintas.

NR - E o seu encontro com a literatura, especialmente a poesia, seu encontro fora de dentro palco... o que te impulsiona a escrever?
CT - Meu encontro com a poesia me salva da loucura, da estupidez. Eu preciso de poesia para viver, para respirar. Eu não vivo sem. Leio muitos poetas, escrevo, tento ver poesia em tudo....e ainda assim a vida é puxada às vezes....imagine sem poesias, sem liberdade para organizar o que não entendemos racionalmente? Daria conta não,viu! O que me impulsiona a escrever é a vida...EU me seguro para não ficar escrevendo o dia inteiro. Quando escrevo eu sinto que a vida tem uma engrenagem que é maior, muito maior do que podemos ou conseguimos definir, entender. Escrever é se jogar no abismo justamente para não morrer dentro de si mesmo. tudo é literatura depois do amor...ou até o amor é literatura. Talvez...e isso já me da vontade de escrever algo.

Serviço – Me Dá A Tua Mão
Alameda Lorena, 521. Sala Orquidário do Pimenta Romã. Reestreia sábado, garanta seu ingresso: www.compreingressos.com
Sãbados e Segundas às 20h00. Domingos às 19h00.
De 2 de junho até 2 de julho.
R$50,00
Clientes do Pimenta Romã e grupos: R$20,00


Ficha Técnica e Serviço -–Kansas
Direção e dramaturgia: Gabriela MellãoInterpretação: Ester Laccava, Erika Puga, Alexandre Stockler, Clovys Tôrres e Plínio Soares
Corpo criativo e colaboração dramatúrgica: Ester Laccava, Erika Puga, Alexandre Stockler, Clovys Tôrres, Plínio Soares, Luciana Ramanzini, Aline Santini, Antonio Salvador, Reinaldo Soares, Aline Abovsky, Tono Guimarães e Lutz Gallmesteir
Iluminação: Aline Santini
Trilha original: Lutz Gallmesteir
Cenografia: Camila Schmidt e Rogério Velloso
Coreografia: Reinaldo Soares
Assistente de direção: Tono Guimarães
Técnico de som: André Telles
Fotografia: Marcelo Uchôa
Assessoria de imprensa: Morente Forte
Produção: De Marchi Produções Artísticas
Realização: Gabriela Mellão

Serviço
Teatro Sergio Cardoso
Sala Paschoal Carlos Magno (144 lugares)
Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista
Bilheteria: 3288.0136
De segunda a sábado, das 14h às 17h, para vendas antecipadas. De segunda a domingo, das 14h até o início do espetáculo. Aceita todos os cartões.
Vendas: www.ingressorapido.com e 4003.1212
Terças e Quartas às 20h
Ingressos: R$ 30
Duração: 60 minutos
Recomendação: 12 anos
Temporada: até 04 de Julho

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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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