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Frames, de Franz Keppler, traz quatro histórias que trabalham com a possibilidade de entendimento entre pessoas muito diferentes
Publicado em 30/07/2017, 14:00
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Frames, de Franz Keppler, traz quatro histórias que trabalham com a possibilidade de entendimento entre pessoas muito diferentes. No palco estão os atores Hugo Bonemer e Daniel Rocha, com direção da carioca Camila Gama e do baiano Sandro Pamponet

Estreia dia 6 de agosto, domingo, às 19h, no Teatro MorumbiShopping
A trama se desenrola durante um mesmo dia em uma grande cidade.

As histórias:
“Fogos no céu de meio dia”, duas pessoas são impedidas de sair na rua por conta de um tiroteio.
“Lâmpadas e Ovos Quebram”, duas pessoas, cada uma em seu carro, estão presas num engarrafamento.

“Fogos no céu de meia-noite”, dois amigos estão na sala de espera de um hospital e enquanto aguardam, refletem sobre suas vidas.

¨Era pra ser só uma festa” trata da questão da homofobia e de suas trágicas conseqüências.
Indicada ao prêmio APCA de melhor texto quando encenada pela primeira vez na capital paulista, em 2009, a peça foi atualizada pelo autor.

Entrevista:
O autor fala sobre Frames, a nova versão que estreia no Teatro Morumbi Shopping, e sobre a sua carreira profissional, que começou com peça Nunca Ninguém Me Disse Eu Te Amo e está completando dez anos.


NANDA ROVERE - - A peça Nunca Ninguém Me Disse Eu Te Amo você já foi indicado como melhor autor APCA. Fale um pouco sobre essa peça que é considerada a sua estreia no teatro.
FRANZ KEPPLER - Foi uma peça que marcou não só minha estreia no teatro, mas também uma mudança radical em minha vida pessoal e profissional, e por isso ela tem uma grande importância pra mim. E tudo foi muito surpreendente, por que estreamos imaginando cumprir uma temporada de dois meses, que viraram quatro, que viraram oito, que virou um ano. As pessoas se identificavam muito com a história daquelas duas mulheres movidas pelo amor, pela solidão, pela perda e pelas disputas profissionais. E a trama, totalmente centrada no universo de uma empresa, foi uma maneira que encontrei para expurgar meus demônios depois de viver 15 anos no mundo corporativo.

NR - Li numa entrevista que Ego Com Plexos, de 88, foi a sua primeira experiência no teatro, como autor e diretor, mas que na época você foi elogiado somente pela autoria do texto...No hiato entre essa peça Nunca Ninguém Me Disse Eu Te Amo você se dedicou ao jornalismo ou escreveu textos também?
FK - Sim, foi isso mesmo. Fiz teatro amador dos meus 14 aos 22 anos, mais ou menos. Quando uma parte do grupo tirou o DRT, montamos essa peça que escrevi e acabei dirigindo – sem ter o menor embasamento para isso, apesar de na época achar que tinha ( rss). Fizemos uma temporada no TBC e o Alberto Guzik, então crítico do Jornal da Tarde foi assistir.Uma semana depois lá estava a matéria com o título: um texto forte estragado pela direção (rss). E como ele falava muito bem do texto na matéria, as sessões começaram a lotar e prorrogamos a temporada. Mas eu estava me formando, abri uma agência de comunicação com um amigo e fui me dedicando a ela. A agência cresceu, abraçou outras áreas e acabei enveredando por aquele caminho. Só voltei a escrever em 2005, uma peça chamada Anjo da Guarda (inédita em SP, montada apenas em Porto Alegre). A primeira pessoa que a leu foi o Cláudio Fontana, que se apaixonou pelo texto, fez uma leitura incrível com o Elias Andreato. Foi naquele momento que percebi que tinha que retomar o caminho que tinha deixado pra trás.

NR - Como foi a sua entrada definitiva para o teatro?
FK - Em 2006, saí definitivamente da agência. Não queria mais aquele dia a dia. E naquele ano, o dono de uma agência de publicidade com quem eu havia trabalhado nos últimos anos, me disse que queria investir em uma peça para a mulher dele, atriz, atuar. E então eu escrevi “Nunca Ninguém me Disse eu Te amo” para ela. Essa foi minha entrada definitiva, há exatamente dez anos, já que a peça estreou em agosto de 2007.

NR - Como foi deixar a área de jornalismo ( a sua experiência ajudou na carreira de dramaturgo, ou não?).
FK - Foi um processo absolutamente tranquilo. E posso dizer que esse olhar que o jornalista tem sobre um fato, me ajudou muito, principalmente em algumas peças como Depois de Tudo, inspirado no caso do buraco do metrô. É a peça mais jornalística que escrevi até hoje, apesar de não contar a história de nenhuma pessoa que realmente viveu aquele trágico acontecimento.

NR - Como foi deixar o mundo das notícias objetivas e embarcar numa área tão subjetiva?
FK - Foi essencial pra mim. Uma transição que tinha que acontecer. Não estava mais feliz com o que fazia e entendi que pra voltar a ser feliz eu precisava fazer o que havia deixado. E poder escrever sobre o que me inquieta, o que me aflige, o que me incomoda, o que me emociona, é fundamental pra mim. É o que me deixa mais leve.

NR - Na sua trajetória você criou textos de temáticas diversas e que foram dirigidos por diretores de estilos diversos. Qual o balanço que vc faz da sua trajetória?
FK - Completo dez anos de carreira em 2017. E fazendo um rápido balanço, posso dizer que tenho uma trajetória muito feliz. Tive textos encenados por grandes diretores como Elias Andreato, Nelson Baskerville, Otávio Martins, Rafael Primot, Joca Andreazza, entre outros, e atores maravilhosos em todas as minhas peças. Sempre tive um retorno muito positivo do público e da crítica. E nunca gostei de me debruçar em um estilo só. Gosto de transitar entre todos eles, de escrever de maneiras diferentes. É isso que me motiva. E hoje, consigo viver do que escrevo, recebo muitos convites para escrever peças, tenho vários projetos em andamento e outros na cabeça para irem pro papel. Então posso dizer que me sinto um privilegiado.

NR - Camille e Rodin é o seu trabalho de maior visibilidade?
FK - Posso dizer que foi o trabalho que me deu um grande reconhecimento. Foram praticamente 100 mil expectadores. Muita gente da área que não me conhecia, passou a me conhecer, e os que achavam que eu era um autor estrangeiro, se deram conta que sou brasileiro (rss). Foi a partir de Camille que comecei a receber convites para escrever outras peças, como foi o caso de Caravaggio. Mas naquele mesmo ano veio a montagem de Córtex, com a direção do Nelson Baskerville e com Otávio Martins no elenco, e logo depois, Divórcio, que também foi um grande sucesso. Acredito que a junção desses três espetáculos em cartaz ao mesmo tempo foi o que me deu uma grande visibilidade na época e traçou um caminho definitivo (espero) pra mim no teatro.

NR - Como foi escrever sobre essas personalidades tão instigantes e com uma relação tão tumultuada (e a encenação do Elias e interpretações da Melissa e do Leo)?
FK - Foi um processo bem longo, entre a pesquisa (realizada por mim e pela Melissa) e a conclusão do texto. Nove meses mais ou menos. Mas, desde o o princípio, eu quis contar a história de amor e arte que os uniu do ponto de vista de cada um, sem tecer julgamentos. E foi muito bacana ver como a plateia embarcava neste jogo, ora ficando ao lado de Camille, ora compreendendo as razões de Rodin. Quando ouvia isso, sentia que havia atingido o meu objetivo inicial.

NR - Ainda com relação a Camille e Rodin, como é criar a partir de uma história real, já que vc se dedica a textos ¨ficcionais¨?
FK - Camille e Rodin foi minha primeira peça a partir de uma história real. E tinha muitas dúvidas no começo, sabia o que queria dizer, mas precisava encontrar o como. E o Elias Andreato me ajudou muito nesta questão. Ele já interpretou vários personagens biográficos, o que o fez compreender muito bem que não vale a pena cair na discussão teórica ou explicativa. Depois, com Caravaggio, já me senti bem mais tranquilo e seguro no momento de escrever, foi muito mais fácil definir quais acontecimentos eram necessários pra contar a sua vida da maneira como eu queria. E em Com Amor, Brigitte, resolvi brincar mais e misturei o real e o ficcional sem medo e o resultado foi incrível.

NR - Divórcio foi a sua primeira comédia mais ¨rasgada¨ de costumes certo? Qual a diferença entre criar comédia e textos mais dramáticos ( pra vc é diferente?)
FK - Sim, muito diferente e mais difícil, pelo menos pra mim. Talvez pelo fato de que não é um estilo que me mova, que me motive profundamente. Por isso, Divórcio é minha única comédia até agora e não me vejo escrevendo outra tão rapidamente. Acho que minha natureza é mais dramática. rs

NR - Divórcio, em Barcelona (2014) e Camille e Rodin, em Buenos Aires...Como foi ver essas peças encenadas em outro país, em outras línguas?
FK - Eu assisti apenas a montagem de Camille e Rodin, no dia da estreia em Buenos Aires. Foi uma emoção muito forte estar em outro país e ouvir o seu trabalho em outra língua. “ A minha peça ultrapassou fronteiras”, eu pensava. E isso é um reconhecimento maravilhoso. E fiquei muito feliz também quando Annie Fink, que interpretou Camille, foi indicada ao prêmio de teatro mais importante da Argentina na categoria de atriz revelação. É uma pena que montamos mais textos de autores estrangeiros aqui do que somos montados no exterior. Temos grandes autores que mereciam estar em palcos do mundo afora. Bem que poderiam surgir alguns agentes aqui que fizessem um trabalho forte de divulgar textos brasileiros em outros países. Fica a dica.

NR - O que você reformulou Frames. O que mudou no texto? E a expectativa para essa nova versão nos palcos?
FK - Em 2009, quando ela foi encenada pela primeira vez, a camada principal da peça era a questão da urgência x impossibilidades. Hoje, outras camadas contidas no texto ganharam mais força: a intolerância, a dificuldade de comunicação, os julgamentos que fazemos dos outros sem conhece-los direito, tudo, claro, derivado deste momento tão polarizado que vivemos. E isso levou a alguns ajustes nas histórias que já existiam. E todas elas focavam situações onde os personagens se viam obrigados a conviver. E me dei conta que faltava uma outra história: a de duas pessoas que conviviam por escolha. Essa cena acontece no começo, no meio e no fim da peça e através dela estou querendo dizer: tá vendo como tudo pode ser mais leve se a gente aceitar o outro como ele é? Que tal a gente tentar viver na vibe desses dois personagens e não na daqueles outros? Possivelmente, a gente vai ser muito mais feliz. Estamos todos muito animados com a peça. Já viajamos com ela pra algumas cidades e a repercussão foi incrível. Temos a certeza que faremos uma grande temporada em São Paulo.

NR - No que você está de olho (Na Cena)?
FK - Eu vou muito ao teatro, chegou a ver duas, três peças por semana. E neste primeiro semestre, posso dizer que me empolguei muito com Carmen, com Natalia Gonsalez e Flávio Tolesani, e com Eingengrau- No Escuro, da Cia Delicatessen, ambas dirigidas pelo Baskerville. Espero que as duas façam novas temporadas no segundo semestre. Outra que gostaria de ver novamente é Unfaithful, apresentada no Festival Cultura Inglesa deste ano, com direção primorosa da Lavínia Pannunzio e com Noemi Marinho numa interpretação memorável.

NR - Quer acrescentar algo, falar de novos projetos?
FK - Tenho alguns projetos que estão em andamento, outros aguardando patrocínio. É o caso de Caravaggio, com direção de José Possi Neto, Até o Fim ( que escrevi com Daniel Tavares), e Ofélia em Mim, com direção de José Roberto Jardim. E para o próximo ano, deve acontecer também a montagem de “Brian ou Brenda”, que escrevi depois de ser contemplado no edital de dramaturgia da Secretaria de Cultura de SP

Sobre Franz Keppler:
O dramaturgo brasileiro estreou no teatro em 2007 com "Nunca Ninguém Me Disse Eu Te Amo", peça indicada ao Prêmio APCA de melhor autor. Seguiram-se "Depois de Tudo" (2008), e "Frames" (2009), também indicada ao APCA de melhor autor. Em 2012, estreou: “Córtex, direção de Nelson Baskerville, “Camille e Rodin”, direção de Elias Andreato, e “Divórcio”, direção de Otávio Martins. As duas últimas, além de ficarem dois anos em cartaz e levarem juntas cerca de 150 mil espectadores ao teatro, também ganharam montagens internacionais: Divórcio, em Barcelona (2014) e Camille e Rodin, em Buenos Aires. Em 2015 foi contemplado no edital de dramaturgia da Secretaria de Cultura de SP para escrever, ao longo do ano de 2016, a peça Brian ou Brenda?, e ganhou o primeiro lugar no concurso de dramaturgia do Festival Proscênio, com seu texto ainda inédito, “Caravaggio”. Em 2016, teve três peças em cartaz: “ Com Amor, Brigitte”, no Masp, “Chuva não. Tempestade”, no Eva Herz, e “Só Entre Nós”, no Centro Compartilhado de Criação.

Serviço

Frames. Estreia dia 6 de agosto, domingo, às 19h, no Teatro MorumbiShopping. Texto: Franz Keppler. Direção: Camila Gama e Sandro Pamponet. Com Daniel Rocha e Hugo Bonemer. Duração: 60 minutos. Ingresso: R$ 60,00. Recomendação etária: 14 anos. Teatro Morumbi Shopping - Av. Roque Petroni Júnior, 1089 Tel: 5183-2800 (bilheteria de terça a sexta das 14h às 21h, sábado das 13h às 21h e domingo, das 13h às 20h). Temporada: Sextas e sábados, 21hs e domingos, 19hs. De 6 de agosto a 24 de setembro. www.ingressorapido.com.br



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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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