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Críticas - Teatro Adulto

As Cangaceiras - guerreiras do sertão
Publicado em 25/04/2019, 22:00
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Um grito desesperado de mulheres contra a opressão. O ambiente é o histórico cangaço, mas poderia ser hoje, em pleno 2019, momento com tantas notícias de desrespeito às mulheres, na forma verbal, mas também através de atos violentos.

Newton Moreno é nordestino e conhece bem o sertão. Sabe bem as suas mazelas, mas também conhece o seu valor. Trabalha com uma prosódia que destaca o modo de falar de um povo que vivia num universo violento onde sobreviver era uma dádiva.

Na trama, a vida de mulheres fortes que lutam pela liberdade num mundo cruel e machista. Nunca tiveram voz e cada uma precisa defender a sua vida e a união acaba fazendo com que exista a esperança do futuro.

Diálogos possantes, atores vigorosos, com pitadas de humor. Nesse ambiente árido existe espaço para a poesia e o respiro está essencialmente no canto que traz movimentos coreografados. Um canto que evoca a força das mulheres.

O clima árido do sertão e o cotidiano áspero estão expressos na luz e no cenário que é manipulado para ser transformado em diversos locais onde as cenas acontecem.

A mão firme de Sérgio Módena que cuidou de cada detalhe com esmero merece atenção. Um primor! Um diretor que tem em mãos um elenco competente como um todo.

As mulheres são as protagonistas da peça e as atrizes as interpretam com uma realidade vigorosa, seja através da força da fala, seja através do olhar e também através do canto.

Amanda Acosta tem se destacado por representar mulheres artistas no teatro - Bibi e Carmen. Agora vive Serena, que precisa recuperar o seu filho. Personagem diferente dos outros trabalhos e de um encantamento que emociona.

É Serena que acaba regendo as Cangaceiras na luta pela sobrevivência e libertação. Cangaceiras vividas por atrizes que levam para o palco trabalhos que com certeza já estão entre os grandes destaques do ano.

Amanda Acosta, Vera Zimmermann, Luciana Lyra, Carol Badra, Rebeca Jamir, Carol Costa, Badu Morais....

Cada atriz com a sua bagagem e seu jeito especial de interpretar essas mulheres especiais, com erros e acertos, mas com o objetivo de encontrar um pouco de acalanto numa vida áspera.

Serena que representa a ode pela paz e está em busca do filho. É complicado conseguir essa dádiva, mas ela luta por isso. Personagem de uma beleza ímpar, que salva a mocinha (a excelente Rebeca Jamir) das garras de um cangaceiro, e logo em seguida recebe a ajuda da mãe de mocinha (um trabalho primoroso de Vera Zimmermann).

Carol Badra leva um pouco de humor para a cena, mas é o riso contido de alguém que nunca pôde viver plenamente.

E como não destacar também o trabalho dos atores com a prepotência e a ignorância dos cangaceiros que só conheciam uma realidade, a triste realidade da ignorância e do machismo capaz de arbitrariedades absurdas - Marco França, Marcello Boffat, Milon Filho, Pedro Arrais, Jesse Scarpellini, Eduardo Leão - uma truculência de homens que não têm outro parâmetro para agir a não ser através da violência e ignorância. Mas o amor existe nesse universo e é ele que mostra que viver em paz é o segredo para um mundo melhor.

Assim como Carol, Jessé Scarpellini e Pedro Arrais também levam um pouco de humor para a cena. Um humor que promove um pouco de ¨descanso¨ da força das cenas, mas que não diminui o seu teor crítico e vigoroso. Antes de tudo, reforça o quanto a vida dessas pessoas é recheada de dias sem grandes perspectivas, já que morrer no sertão é quase certo. Um cotidiano onde a ignorância dos homens coloca as mulheres numa prisão atordoante. É como uma das personagens diz num certo momento: ¨a mulher pode falar, mas o que ela pode e deve falar é somente o sim. Discordar dos homens é sempre muito perigoso.

Musical que transborda brasilidade, necessário para os dias atuais, cuja qualidade prova que artistas são ourives que criam magias, para diversão, deslumbre e também para reflexão.

Não tem desculpa para deixar de ver: é gratuito e num local de fácil acesso. Teatro de alta qualidade feita por trabalhadores que honram a arte pelo talento e dedicação!

Texto: Newton Moreno
Direção Musical e Canções Originais: Fernanda Maia
Assistência de direção musical: Rafa Miranda
Coreografia/Dir. De movimento: Erica Rodrigues
Assistência de direção: @lorenamorais
Cenário: Marcio Medina
Luz: Domingos Quintiliano
Figurino e Visagismo: Fabio Namatame
Pesquisa: Almir Martines
Elenco: Amanda Acosta, Marco França, Vera Zimmermann, Luciana Lyra, Carol Badra, Rebeca Jamir, Marcello Boffat, Milon Filho, Pedro Arrais, Jesse Scarpellini, Carol Costa, Badu Morais, Eduardo Leão.
Amanda Acosta – Serena
Vera Zimmermann – Deodata
Carol Badra – Zaroia
Luciana LYra- viúva
Rebeca Jamir – mocinha
Carol Costa – fazendeira
Badu Morais – rexeira – mulher
Marco França Taturano
Jessé Scarpellini – 0 namorado
Marcello Boffat – meialua
Milton Filho – promessinha
Pedro Arrais- volante
Eduardo Leão – Padre, Vigia e Nonato
Músicos: Pedro Macedo (contrabaixo), Clara Bastos (contrabaixo), Daniel Warschauer (acordeon), Dicinho Areias (acordeon), leandro Nonato (violão), Abner Paul (bateria), Pedro Henning (bateria), Roberta Regina (violoncelo), Felipe Parisi (violoncelo)
Design de Som: João Baracho
Produção: Rodrigo Velloni

Av. Paulista, 1.313 - Prédio da Fiesp
Em frente à estação Trianon-Masp do Metrô
Duração do espetáculo: 120 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Agendamentos: ccfagendamentos@sesisp.org.br
Grátis. Reservas antecipadas de ingressos pelo site www.centroculturalfiesp.com.br abertas todas as segundas-feiras, às 8h. Ingressos remanescentes serão distribuídos no dia da apresentação, 15 minutos antes na bilheteria do Teatro.

Sinopse:
Inspirado em depoimentos de mulheres envolvidas no Cangaço
As Cangaceiras é uma fábula inspirada nas mulheres que seguiam os bandos nordestinos, que atuavam contra a desigualdade social da região. O musical conta a história de um grupo de mulheres que se rebelam contra mecanismos de opressão que encontravam dentro do próprio cangaço. Além de reflexões sobre o conceito de justiça social que o cangaço representava, o espetáculo reflete sobre as forças do feminino nesse espaço de libertação e sobre nossa ideia de cidadania e heroísmo. Canções originais foram compostas para a produção, inspirando-se em ritmos da cultura nordestina.

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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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