TEATRO
Acompanhe o melhor do teatro adulto e infantil! As principais estreias nos palcos estão aqui.
Não deixe de ler as matérias e críticas.

Críticas - Teatro Adulto

Josephine Baker – A Vênus Negra
Publicado em 16/09/2018, 22:00
10
Facebook Share Button
Josephine Baker – A Vênus Negra
Atriz Aline Deluna é explosão de beleza, sensualidade, talento e carisma

A dançarina, cantora, atriz Josephine Baker faleceu em 1975. A conhecia muito pouco. Já tinha ouvido falar sobre a Vênus Negra, lógico, mas foi um privilégio conhecer detalhes sobre a sua vida e carreira através de um musical.

Nasceu nos Estados Unidos, mas foi na França que ela começou a ser respeitada, já que sofreu muito com o racismo no seu país de origem.

Além do talento, a artista chamou atenção pelo seu espírito libertário, sobretudo a nudez sem nenhuma apelação. Também foi ativista, agindo em prol não somente da sua raça, mas visando o respeito a todas as raças e credos.

O autor Walter Daguerre apresenta a vida da artista de modo cronológico, mas as citações dos anos e dos fatos são interessantes porque ressaltam a sua irreverência e as dificuldades de ser mulher negra e artista numa sociedade como a americana nos anos 20.

As passagens da sua trajetória são, portanto, detalhadas, mas a dramaturgia não cansa o espectador porque serve para ressaltar as ações e os pensamentos de uma mulher que venceu os preconceitos e se firmou como uma artista de talento.

Entre os detalhes biográficos apresentados: Casou diversas vezes, teve atitudes libertárias na profissão e na vida pessoal, e adotou 12 órfãos de várias etnias, aos quais chamava "tribo arco-íris.

Josephine conseguiu colocar brancos e negros nas suas apresentações, lado a lado. Exigiu que as suas produções contassem com funcionários negros. Durante a Segunda Guerra Mundial atuou como espiã e recebeu honrarias porque acreditava que precisava retribuir à França o acolhimento que obteve no país.

Nos anos 50, a sua popularidade foi de suma importância na luta contra o racismo e pela emancipação dos negros; apoiou inclusive o Movimento dos Direitos Civis de Martin Luther King.

O musical trabalha com a primeira e a terceira pessoa, visto que a atriz narra a história e também vive a personagem. Uma opção cênica que evidencia o quanto Aline Deluna se identifica com Josephine, tanto que no início da apresentação ela conversa com a plateia e conta como se encantou pela artista e resolveu interpretá-la.

A produção vai na contramão dos grandes musicais e esse é um dos trunfos da montagem. Tem um caráterintimista e o carisma de Aline contagia a plateia.

O seu canto ecoa com precisão. É só assistir a vídeos de Josephine Baker na internet para constatar a alta qualidade do trabalho de Aline. Uma voz rara que está a serviço de Josephine, assim como todo o seu corpo também está..

Aline leva para o palco a alma de Josephine, com movimentos baseados nas suas apresentações mundo afora, mas além dos trejeitos característicos, Aline imprime também a sua personalidade em cena. A sua desenvoltura é incrível.

Transgressão, luta e o talento de uma artista apresentados no palco por uma atriz e cantora de talento e carisma. Trabalho realizado com esmero e maestria.

Dois pontos altos da montagem que aproximam Josephine do Brasil: Aline faz alguns comentários referentes ao mundo atual, além disso, a passagem de Josephine pelo nosso país ganha encantamento por seu contato, por exemplo com Grande Otelo, com quem chegou a contracenar no cassino da Urca,. A gravação de O Que É que a Baiana Tem?, uma canção de Dorival Caymmi imortalizada na voz de Carmen Miranda, também merece atenção especial.

A direção de Otávio Muller está focada no brilho da atriz, na sua performance no palco e na sua interação com os músicos, que também dão voz á personagens que fizeram parta da trajetória de Josephine. Eles contribuem para que a ação ganhe leveza e também a dramaturgia tenha sustentação. Os números musicais ajudam a contar a história e são um deleite devido ao talento da atriz e dos músicos.

O palco aberto, com coxias à mostra e com entradas da camareira que ajuda a atriz a mudar de roupa, é uma opção acertada, numa bela homenagem a quem faz o espetáculo acontecer e também remete à primeira função de Josephine no mundo artístico (a de camareira).

O figurino também merece aplausos e evidencia a trajetória de Josephine, o seu brilho, a quebra de paradigmas e a sua atuação na sociedade. Quem nos anos 20 teria coragem de usar uma mini-saia de bananas, correntes de ouro e brincos enormes? Com certeza poucas pessoas, entre elas Josephine Baker!

Com sucesso no Rio, e a atriz agraciada com vários prêmios na cidade, o musical chegou a São Paulo e conquistou o público que lotou as sessões. O problema é que a temporada foi curta demais. Precisa voltar para uma temporada maior.

Nesses tempos sombrios, entrar em contato com uma mulher símbolo da luta contra o preconceito e à frente do seu tempo, é essencial. Não podemos deixar que o preconceito tome conta do nosso país, que o retrocesso impere!

Sinopse: A história da dançarina, cantora, atriz e humorista Josephine Baker (1906-1975), norte-americana naturalizada francesa que conquistou o mundo com sua arte e seu talento, apesar das críticas ao seu estilo de vida rebelde e liberal. É essa mulher e artista que o espetáculo musical pretende apresentar ao público. No palco, a dança selvagem, a sensualidade e o deboche. Fora dele, a luta pela igualdade racial, a defesa da miscigenação e da convivência harmônica entre os povos.

Ficha técnica
Texto: Walter Daguerre
Direção: Otavio Muller
Direção musical: Dany Roland
Direção de movimento: Marina Salomon
Elenco: Aline Deluna (atriz), Dany Roland (músico), Christiano Sauer (músico) e Jonathan Ferr (músico)
Cenário e Figurinos: Marcelo Marques
Iluminação: Paulo César Medeiros
Projeto de som: Branco Ferreira
Preparação vocal: Débora Garcia
Visagismo: Guto Leça

Josephine Baker em BH
Cine Theatro Brasil Vallourec – Grande Teatro (Av. Amazonas, 315 – Centro)
29 e 30 de setembro (sábado e domingo)
Sábado às 21h e Domingo às 19h
INGRESSOS:
R$50
VENDAS:
online: eventim
https://www.eventim.com.br/
BILHETERIA OFICIAL - SEM COBRANÇA DE TAXA DE CONVENIÊNCIA
Cine Theatro Brasil Vallourec
Av. Amazonas, 315 – Centro/ Belo Horizonte
Segunda à Sábado das 12h às 21h
Domingo das 15h às 20h
Clique nas imagens para ampliar:

DE OLHO NA CENA ® 2015 - Todos os Direitos Reservados
. . . . . . . . . . . .

DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

CRISOFT - Criação de Sites ® 2005
HOME PAGE | QUEM SOU | TEATRO ADULTO | TEATRO INFANTIL | MULTICULTURAL | CONTATO
CRÍTICAS OPINIÕES CINEMA
MATÉRIAS MATÉRIAS SHOWS
ESTREIAS ESTREIAS EVENTOS